Alegria

 

A temporada de Gui Sodré na Indonésia

 

Que o carioca Guilherme Sodré surfa muito, quase todo mundo sabe. O que nem todo mundo conhecia, era seu talento como videomaker. Alegria, seu último curta, registra sua temporada na Indonésia em 2018 e conta com um elenco de peso — dos melhores prós do Brasil a algumas lendas underground. Conversamos com Gui sobre as diferentes vibes da Indonésia, progresso no arquipélago, vida na estrada em família e mais. Confira na entrevista abaixo.

 
 

Alegria traz um mix de surfistas incrível. Tem alguns dos melhores prós do Brasil e outras lendas underground (e nem tanto). Como foi trabalhar com tanta gente diferente?

Foi foda cara! 
A barca que fizemos para as Mentawai foi formada por uma galera que participa do Circuito Mundial e o ritmo dos caras é diferente. Sinto que eles surfam com muita energia e naturalmente aproveitam a oportunidade para treinar, já pensando em gerar resultado nas competições. É o “ganha pão” deles e a combinação destes fatores fazem as sessões de surf terem um nível altíssimo!
 Além dos profissionais, existem milhares de outros caras que surfam muito e provavelmente você nunca saberia, se não encontrasse com eles na água. Essa galera underground representa uma outra vertente do surf, onde a única e exclusiva intenção é aproveitar o momento e se divertir. 
O mais legal de trabalhar com tantos surfistas talentosos é ver que cada um deles tem uma forma particular de se expressar dentro d’água e me considero um sortudo de todos eles terem passado pelo meu caminho.

 
Gui Sodré em seu escritório

Gui Sodré em seu escritório

 

Quem mais te surpreendeu e por que?

Quem mais me surpreendeu foi um cara chamado Lucas De Nardi. 
O gaúcho é Surf Guide do barco Praya Mentawai e no dia que Greenbush estava bombando, pegou um dos melhores tubos do dia.

 
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Seu filme cruza quase que a Indonésia inteira, da Sumatra a Lombok. Qual foi a missão mais especial?

A missão mais especial foi para Sumbawa.
 Foi minha primeira vez na ilha e fui acompanhado por grandes amigos e nossas famílias. O lugar é paradisíaco, com praias de areia branca e água cristalina. 
No final de tarde do primeiro dia, fomos checar as condições em Scar Reef e estava perfeito. Altos tubos, uma luz incrível e o clima na água era muito bom. Gravei por aproximadamente 3 horas dentro d’água e essa caída rendeu uma sessão especial no filme!

E qual não valeu o rolê?

Todos valeram a pena. De verdade! 
Quando decidi me mudar para Indonésia não tinha a pretensão de produzir o filme. A ideia era curtir com a família, pegar altas ondas e continuar trabalhando com o que amo. 
Durante todas as trips procurei carregar estes três pilares e dessa forma não tem viagem perdida.
 Hoje posso dizer que fechei este ciclo com momentos inesquecíveis em família, muitos tubos surfados e um filme que traduz como é meu trabalho.

 
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Tem também uma seção linda em Bali. Como é a decisão de ficar em Bali num grande swell, ao invés de ir para Desert, G-Land ou Mentawais, por exemplo?

São muitas as opções e naturalmente acaba sendo difícil.
 O lado positivo é que na Indonésia a escolha do lugar é baseada na fartura e não na escassez. Vai depender do tipo da onda que você deseja. 
Em 2018 estava morando em Bali e não senti a necessidade de viajar em todo swell. Sei da qualidade das ondas que existem na ilha e queria me dedicar especificamente a Padang Padang, que na minha opinião é uma das mais perfeitas e fotogênicas do mundo.

 
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Qual a diferença de filmar em Bali, comparado com o resto da Indonésia?

Acredito que a maior diferença seja o crowd. É gente por todo lado (risos)! Em um dia perfeito em Padang, isso fica evidente pois o cliff é tomado por espectadores, a praia é sempre cheia de turistas e no lineup a concorrência pelo melhor angulo é a mesma que os surfistas tem pela melhor onda. Acho interessante mostrar este ponto de vista fiel sobre o lugar onde todo esse movimento de pessoas com intenções diferentes cria uma atmosfera única.

Não é sua primeira viagem à Indonésia – o que mais mudou para quem visita o país, desde lá até hoje?

A primeira vez que visitei a indonésia foi em 2010 e bastante coisa mudou desde então.
 Em Bali, uma grande mudança pode ser notada no primeiro momento que você pisa na ilha, pois o aeroporto de hoje em dia é muito maior e melhor. Existem mais opções de restaurantes, surf shops, mercados, hotéis e até parques temáticos. Por outro lado, os preços ficaram mais altos, praias que eram agradáveis se tornaram caóticas e a locomoção ficou mais complicada por conta do crescimento desordenado. As ruas continuam muito estreitas para suportar o grande volume de carros, causando congestionamentos onde até o Buda perderia a paciência. Também é possível notar reflexos negativos com relação ao meio ambiente. Tenho consciência de que este problema não é recente, mas vejo que está se agravando com muita rapidez. Sou apaixonado pelo país e espero que movimentos de preservação continuem crescendo.

Seu filho aparece em algumas imagens – você foi com a família? Como é essa experiência, comparado a uma surf trip só com os camaradas?

Sim, fui acompanhado por minha mulher e nosso filho Benjamin (3 anos).
Na minha opinião a grande diferença é que estando com a família existe uma atenção maior com planejamento antes de fazer uma trip. Com os camaradas me jogo pra qualquer lugar sem pensar em muita coisa.

 
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Seu filme tem uma estética que transmite muito bem as diferentes “vibes” da Indonésia – como produzir algo bacana e relevante, quando o surf na Indo já foi retratado um milhão de vezes?

O cenário perfeito está ali. Todo indivíduo tem a oportunidade de ver, interpretar, captar e transmitir de acordo com a criatividade. Isso faz as possibilidades serem infinitas! 
Acredito que tudo que é feito com propósito e verdade tem sua relevância.

 

 
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