Premiere de "Vinte e Sete" em São Paulo

 
 
 

Lucas Zuch nos deixou, mas sua presença ainda é forte -- principalmente através de seus amigos mais próximos, seus projetos e iniciativas. Vinte e Sete, dirigido por Pedro Carvalho, é uma delas. Nesta quarta-feira, dia 8 de agosto, haverá mais uma premiere do filme que reflete sobre essa partida -- dessa vez aqui em São Paulo, em evento da Casa Surf (informações abaixo). E quem fez o filme junto com Pedro foi Eduardo Linhares, o Duda, que hoje em dia toca o outro projeto que não pode deixar de ser mencionado. O Surfari nasceu da vontade de Duda e Zuch de conectar as pessoas através do surf. E é isso que ambos continuam fazendo, cada um de sua maneira. Aproveitamos a passagem de Duda por São Paulo para a premiere e resolvemos bater um papo com ele sobre o filme, o Surfari e o futuro.

Premiere Vinte e Sete em São Paulo:

08/08 - quarta-feira - abertura da casa às 18:00 - Filme às 20:30h

BEC Bar - Rua Padre Garcia Velho, 72 - Pinheiros

Ingresso: R$ 20,00

Show da banda La Piedra

 

Me fala sobre o filme. O que vocês quiseram contar, qual é a mensagem?

Eu editei boa parte do vídeo -- mas a estrutura da ideia e do roteiro foi do Pedru [Carvalho], o diretor do filme. Eu posso te falar sobre o filme de uma maneira mais geral. Ele fala sobre uma amizade moldurada pelo surf, acho que por causa disso, ele gera essa identificação com o público. Ele foi construído pelos amigos, tem três ou quatro editores, foi filmado por todo mundo que tava no barco e é narrado por uma pessoa de fora, que enxerga aquele grupo de amigos como uma inspiração. E também fala sobre o luto -- como encarar a perda de um amigo. A gente prefere encarar essa perda sorrindo, porque as memórias boas sempre vão ser maiores do que qualquer sentimento de tristeza. Resumindo, tem uma recordação histórica, fala sobre a nossa infância, de como nosso grupo de amizade se formou, sobre o Surfari, como o Zuch se relacionava com o surf e o quão bizarro foi ele ter partido surfando.

O Surfari era vocês dois e agora é só você. Explica um pouco dessa sua escolha de continuar sozinho com o projeto.

Cara, acho que a passagem do Lucas foi muito simbólica. Acabou que o Surfari virou um símbolo da amizade. A gente fez muitos amigos nesses cinco anos pelo Brasil inteiro, e a galera pegou um carinho muito emocional pela marca. Até ficou difícil de se considerar uma marca de surf depois disso, virou meio que um símbolo mesmo, uma galera se tatuou, na perna, na mão, panturrilha, nas costas... a família dele usa o símbolo para lembrar dele. E para mim como o gestor da empresa, ficou complicado de estressar a marca de uma forma comercial. Eu confesso que tenho um pouco de receio de lidar com um negócio tão importante pra tanta gente. Mas também tem o lado bom -- muita gente compra o que a gente for fazer.

Qual é a missão do Surfari? Ela mudou depois de tudo que aconteceu?

A gente acredita que o surf é um belo agente de transformação e que, se mais pessoas surfassem, o mundo seria um lugar melhor. Através do surf, a gente consegue tirar mensagens legais para a vida, entendeu? Para ter uma vida mais bacana mesmo, uma vida mais cheia de contato com outras pessoas, trocas culturais... e a gente percebeu isso quando fazíamos o nosso surf safari, o quanto que aquilo agregava para a nossa vida. A gente queria levar esses ensinamentos que o surf nos trouxe para as pessoas em geral e conectar outros públicos com o surf, que foi uma missão do Surfari e continua sendo. Mas como isso vai vir à tona agora é o que eu fico me perguntando -- como continuar com essa missão sendo rentável. Essas são as dúvidas que pairam.

Como você vai levar a parada pra frente?

E eu continuo acreditando que o surf é um agente de transformação, essa causa é muito relevante para mim. A forma que tenho para traduzir isso como valor para o mercado e continuar sendo uma empresa que visa o lucro é continuar fazendo vídeo e conteúdo, conhecendo a cultura surf de vários lugares, fazendo essas trocas culturais e expondo isso para a galera pelo canal do YouTube e Instagram. Estou enxugando a empresa para custo zero, trabalhando de casa, mas a parte de produtos vai deixar de existir em breve. E, como videomaker e editor, eu vou começar a botar as coisas mais no trilho e produzir com uma constância maior. O canal do YouTube está largado mas tem uma base boa, o Instagram também tem uma base legal. Eu faço muito trabalho por fora na parte de vídeo, o que me sustenta, e de vez em quando, pinga alguma coisa do Surfari, mas eu prefiro não arriscar muito por conta do valor emocional que a marca assumiu pra galera. Mas vamos seguir com o Surfari até sentir que não dá mais. Eu gosto bastante de mexer com esse símbolo e tentar fazer alguma coisa pelo nosso esporte amado.

E além do Surfari, quais são seus planos?

O Surfari faz parte de mim e mais da metade do meu tempo eu dedico a ele, num ritual diário de ir alimentando algo que eu acredito, sabe? Mas também fiz uns trampos com o Off agora, para o aplicativo -- eu e a [minha namorada] Larissa fizemos umas viagens. Como empreendedor e como uma pessoa que precisa se sustentar com um custo de vida relativamente alto, morando no Rio -- também querendo viajar por aí surfando e conhecendo novos países -- eu acho que é no audiovisual que consigo fazer isso sabe? É uma coisa que eu gosto muito de fazer, filmar, editar e entregar a minha mensagem. É isso que eu tenho feito, selecionado trabalhos em que acredito, ou em que eu gostaria de trabalhar. Não me entreguei cem porcento ao audiovisual de forma comercial, de fazer propaganda publicitária. Tenho feito coisas mais com a minha cara assim.