JULIO ADLER // Urgente!

 

Por Julio Adler

#SomosTodosItalo

#WeAreItalo

Já são quatro dias desde o massacre de Keramas e ainda não consegui processar o tamanho do estrago feito por essa sequência absurda de eventos. Saímos duma etapa memorável no Brasil, onde tudo que poderia dar errado, deu certo. O principal componente, as Ondas, estiveram sempre além das expectativas e mesmo quando não estavam boas, estavam ótimas. Pergunte ao Toledo.

Tudo indicava mais uma vitória do Filipe na melhor onda de manobra do circuito mas o fascínio do esporte está justamente na, lá vamos nós de novo, imprevisibilidade. Parece tão óbvio agora, o domínio do Ítalo. Lembram de Bells? Em abril, Italot carregava uma certa surpresa no rosto quando badalou o sino.

No Corona Bali Protected (que sacada, não) ninguém estava tão confiante e eufórico quanto ele, parecia uma música do saxofonista Rudresh Mahanthappa. Nós já escrevemos aqui que estamos testemunhando a evolução de um surfista, campeonato a campeonato, de forma explosiva e assustadoramente rápida.

A última vez que vimos algo semelhante foi com Medina em 2011 e 2014. Improvisação e adaptação instantânea.

Cinco fatos nos chamaram atenção na quinta etapa (momentaneamente quarta…) do circuito WSL.

1 - Inflama! (Burn, Baby, Burn!)

Medina acendeu a chama da disputa de remada.

Entendam, até a entrada do Gabriel no Tour, eventualmente acontecia uma aqui e outra ali, quase sempre protagonizada pelo Mineiro, Andy Irons, Neco ou Bobby Martinez, mas nenhum outro fez disso uma ferramenta de distração dos adversários como Medina. Todos que competiram contra ele tiveram que se submeter às suas regras e batalhar pela prioridade. Jordy cansou de olhar com aquela cara debochada e adotou a tática o que nos leva ao segundo item.

2 - Tem briga!

Jordy, depois de 11 temporadas no Tour, parece finalmente estar disposto a tudo por um título -- inclusive dar seu melhor nas baterias. O leitor pode até achar que os juízes são excessivamente generosos com o grandalhão sul-africano, mas não podemos negar que ele é dos mais empolgantes surfistas do Tour. Suas entrevistas depois de cada degrau ultrapassado ficavam mais sinceras e menos sujeitas aos filtros do velho discurso decorado que estamos habituados. A entrada do Jordy na briga só vai deixar ainda maior e mais nobre o título de 2018 -- fique ele com Italo, Filipe, Gabriel ou Julian.

3 - A Queda do império romano (menos, menos…)

Tem sido duro assistir John Florence derretendo como um pedaço de manteiga na frigideira quente. Alguns jornalistas estrangeiros culpam Ezekiel Lau pelo nó na cuca do bicampeão mundial. Aquela maldita bateria em Bells transformou-se num fardo, dizem. Discordo.

Florence não era um competidor muito consistente até trabalhar com Bede Durbidge em 2016 e consertar um defeito ou outro no jeito demasiado solto de administrar as baterias.

Em 2017, convidou Ross Willians -- talvez pela indisponibilidade de Bede por ter sido convidado para ser técnico da equipe olímpica australiana -- para ser seu comentarista exclusivo.

O jornalista australiano Nick Carroll acha que o papel do tecnico está exageradamente valorizado atualmente e, de certa maneira, isso ajuda os surfistas a amenizar, ou dividir, a culpa das falhas e derrotas. Ele tem alguma razão, onde reinava Glenn Hall, hoje aparece um Jake Paterson, cheio de teorias e estratégias que vão da intimidação ao uso desmedido da prioridade.

Ninguém foi capaz de prever ou analisar o momento que o atual dono do título mundial passa porque estamos entretidos com tanta bagunça boa acontecendo em volta, mas ignorar isso chega a ser cretinice. Fora do circuito até segunda ordem, contundido, Florence é um dos principais motivos do atual estado do surfe profissional.

Sem Kelly, sem Fanning e sem Florence, fica faltando um alvo mais sólido para alvejar.

4 - Amarelou

Nunca achei que fosse escrever isso, mas a corrida pela camisa amarela está divertida.

Julian, Italo, Julian, Italo. Medina e Toledo fungando no cangote dos dois e Bourez de zebra com Teahupoo e J. Bay se aproximando. Se puder apostar uma latinha de cerveja, digo que Uluwatu será vencida por alguém de fora da briga pelo caneco de 2018 -- só para apimentar.

Tão entusiasmada quanto a luta dos homens é a rixa das mulheres. É bom ver a Silvana de volta com fogo nos olhos, incomodando. Steph e Lakey estão fazendo um início de temporada extraordinário, deixando Tyler e Carissa na saudade, enquanto Tatiana vai ganhando mais confiança e parte como favorita para etapa de Uluwatu.

5 - Timmy Patterson

Perguntado sobre trabalhar com Ítalo numa entrevista para o Canal Woohoo, Timmy Patterson, shaper californiano disse, Ele não entende muito sobre as suas pranchas, por isso a mente dele está livre. Quando ele gosta duma prancha, o retorno é, UAU! Quando você assiste alguém surfando muito mais rápido e positivo do que o resto, logo faz a associação, Essa prancha deve VOAR!

Timmy Patterson é o cara que faz o Italot voar, ou melhor, facilita o trabalho dele, acertando nas curvas, no volume, no posicionamento das quilhas, no caimento das bordas e mais centenas de pequenos detalhes que não caberiam nesse adendo. Patterson é de San Clemente, começou a fazer pranchas em 1978 e é a segunda geração de shapers. Nos anos 80, ele fazia as pranchas do Matt Archbold, o Dane Reynolds da época, também shapeava para Christian Fletcher, o tiozão revoltado dos aéreos.

Tudo isso pra dizer que Patterson entende de voos e aterrissagens já faz mais de 30 anos. Quem começou a trabalhar com ele foi Adriano de Souza, quando morou em San Clemente por algum tempo e possivelmente o apresentou para Italo.

As medidas mágicas são:

5’10 – 18’ ½” x 2’ ¼” – 26. 0 CL – Squash – PU

A única notícia desanimadora é que a prancha costuma funcionar bem melhor com Italo em cima dela e raramente tem o mesmo desempenho comigo ou com você…

6 -

Disse que eram cinco, mas não resisti. Qual será a tatuagem que Italo vai fazer agora? Ou ainda, se continuar desse jeito, até o final do ano quantas novas tattoos ele terá?

Se o surfista preferido do Italot é Clay Marzo, imagina o que vem em Uluwatu?!

[Atualização]

O leitor Bruno Januzzi enviou uma mensagem para esclarecer a (ligeira) confusão sobre Italo Ferreira e Timmy Patterson.
Vai daí, Bruno!

Salve Julio, li seu post mais recente no MOIST....apenas a título de colaboração, na prática quem faz as pranchas do Italo desde que ele é menino é o Tico da Silversurf em Santos. Pode ver que as pranchas dele tem o logo da Silversurf no fundo entre as quilhas. A silversurf é a representante da marca T. Patterson no Brasil e o Tico é o backshaper dele há muito tempo. Há uns 8 ou 10 anos atrás, quando o Pinga começou a trabalhar com o Italo ele foi apresenta-lo à equipe da Silversurf junto com outro menino que ele estava treinando, acho que era o Icaro Rodrigues (não me lembro)....daí na época, eles decidiram apoiar um com a marca própria e o outro com a marca que eles representam...esporadicamente o próprio Timmy faz algumas pranchas pra ele, mas o trabalho afinado entre shaper e surfista é com o Tico. No começo do ano o Edinho Leite fez um reportagem com eles sobre o quiver do Italo para a Australia

[Atualização 2]


De acordo com nosso assíduo e zeloso leitor Marcelo Dada (ver comentários abaixo)
Adriano de Souza não foi o responsável por apresentar Timmy Patterson ao Italo Ferreira, e sim Luiz Henrique Campos, conhecido pelos amigos como Pinga.
Segundo Dada num comentário no Facebook, 

"...quando o Italo ainda surfava com as pranchas Rio Doce num pro Júnior a muitos e muitos anos atrás ele apresentou para dois irmãos que fabricam pranchas em Santos que até hoje representam o Timmy no Brasil... "

Agradecemos ao Marcelo pela boa vontade e incessante luta pela verdade.

Como castigo ao nosso equivocado articulista Julio Adler, manteremos o vexatório uso do advérbio possivelmente na frase "possivelmente o apresentou para Italo"

Que isso lhe sirva de lição.