JAMES B // Impressões digitais pós-Saquarema

 
 
 

Queridos leitores da MOIST, antenados e obcecados por surf, eis minhas impressões digitais sobre o momento atual. Vou tentar dar uma compilada naquilo que eu acho mais relevante, pois aconteceu bastante coisa nas últimas semanas e o Moist News é bem mais competente do que eu em atualizar nossos leitores semanalmente. Aproveite:

SAQUAREMA RULES

Ótimas ondas e muito astral, sol e clima ideal. Público na areia 100% conectado e participativo, esquema Maracanã do surf mesmo. Ondas quebrando próximas à areia e competidores curtindo os laydays na praia junto com a galera. Barrinha surpreendendo a todos que não a conheciam. Dá pra comparar com as glaciais Margaret River ou Bells? Not at all. Só faltava mesmo uma cerejinha pra esse bolo ficar ainda mais saboroso: Fernando de Noronha. Sonhar não é pecado.

QUEM TÁ PODENDO NESSA PORRA (E QUEM DEVERIA ESTAR)

Os dois surfistas mais impressionantes e empolgantes do surf mundial no momento se chamam Filipe Toledo e Ítalo Ferreira. Mas não duvidem de uma vitória do Gabriel Medina na Indonésia e um ranking embolado até os bagos pro segundo semestre. Bom demais!

Medina ainda não venceu, mas está tendo seu melhor início de ano desde 2014. Não esqueçam, o segundo semestre é historicamente o forte do cara.

O líder do ranking, Julian Wilson, só me impressionou e se mostrou digno da liderança em uma bateria até o momento após 4 etapas e ½: na final na Gold Coast. No restante, foi um surf metódico, conservador e vencendo baterias mais na tática (e nos brancos de caras como Alejo Muniz na Barrinha) do que na qualidade de um pretenso líder de circuito mundial.

John John Florence parece abalado após tomar uma dura do migucho Zeke Lau em Bells e logo em seguida ver sua amada Margaret River ser trocada pela querida (por Medina) Uluwatu.

Quando se é bicampeão mundial em sequência, com o maior salário do esporte e a pecha de “o melhor do mundo” sendo ecoada pela mídia internacional o tempo todo, quatro etapas sem um resultado decente devem começar a pesar, mesmo que você seja um zen-surfista proprietário de um veleiro transoceânico.

Alguém em sã consciência colocaria Wade Carmichael na final do CT do Rio? É por isso que um evento no mar sempre será tão mais atraente que em um modelo de piscina de ondas como a do Surf Ranch, previsível e “perfeita demais”. Mas a propósito:

E se a WSL não deu uma nota 10 pro tubaço seguido daquele reentry/floater/batidainvertida do Ian Gouveia na Barrinha, amigos... pode esquecer o sonho de ganhar um 10 na tua carreira, Ian.

CHUPA, SLATER

Slater teve recentemente 2 semanas que devem ter sido infernais: sentiu o gostinho amargo do próprio veneno ao ver bombar nas redes sociais os primeiros vídeos da piscina de ondas concorrente de Waco, no Texas, bem no final de semana de seu evento no Surf Ranch -- quem não lembra da atitude BABACA de Slater ao divulgar o primeiro vídeo de sua onda artificial apenas dois dias após o título mundial de Adriano de Souza, apenas pra maldosamente ofuscar o momento de vitória do Brasileiro?

Além disso, a onda de Waco parece ser mais divertida e imprevisível que a de Kelly, além de financeiramente viável. Porra, em Waco dá pra cair na primeira da série, pegar a de trás e ainda entubar.

Aí logo em seguida... Saquarema e a etapa mais bacana do ano até o momento, com boas vibes e ótimas ondas pra terminar de, se ainda fosse possível, arrancar os últimos fios de cabelo da carequinha lustrosa do champ.

E não se esqueçam: foi Slater quem forçou a barra na WSL pra Founders' Cup acontecer logo antes do Rio de Janeiro, pois queria capitalizar a piscina de ondas dele em cima das “onda ruins” da etapa brasileira em seguida. E por isso ainda encurtou em 2 dias nossa etapa. Então essas semaninhas de dor de cabeça foram muito bem merecidas pra ele.

VIVA ULU

Amigos, você repararam que a solução paliativa dada pela WSL pro imbróglio do cancelamento de Margaret River e consequente mudança das finais do evento para Uluwatu, em Bali, na verdade poderia ser uma solução definitiva?

Em vez de termos três etapas na Austrália, deveríamos ter apenas duas: Snapper e Bells. E duas na Indonésia: Keramas e Uluwatu. Dessa forma amenizaríamos o excesso de eventos na muito longa e cara perna australiana e recomporíamos um pouco o acervo de ondas pra esquerda nesse que, atualmente, é basicamente o WSL Regulars' Tour.

E seria uma solução até mais baratinha, pois com dois eventos em seguida na Indonésia, creio que os custos de produção seriam bem mais em conta que na bem mais cara WA. E sem tubarão! Putz, como é que o Renato Hickel não pensou nisso antes? Terima Kasih!

O fato é que Uluwatu é uma onda alucinante. Altos tubos, sessões muito boas para manobras de borda e aéreos, bancada rasinha na maré seca. Se tiver swell na janela (e parece que terá bastante), pode surpreender demais. Bola dentro da WSL nessa decisão e mal posso esperar pelas baterias. Uma pena que só uma parte da elite irá competir.