POR TRÁS DAS LENTES // Pietro França

 
 

Como muita gente que nasce longe da praia, tudo começou no skate para Pietro França. Em sua cidade natal de Porto Alegre, já filmava com os amigos, antes de se mudar para Florianópolis aos 16 anos e mergulhar de vez naquilo com que já sonhava -- o surf. Muitos anos e duas mudanças de continente mais tarde, Pietro já deu a volta ao mundo algumas vezes. Morou na França por muitos anos e se estabeleceu como um dos filmmakers mais procurados pelos surfistas do velho continente. O vídeo Around The World (republicado pela Nat Geo) mostra um pouco dos lugares por onde filmou nos últimos anos -- alguns dos picos mais tenebrosos do mundo -- antes de fazer a migração para as praias mais calmas e ensolaradas de San Clemente, na Califórnia.

 

Fala sobre esse vídeo, qual foi a intenção?

A ideia era esse vídeo ser um piloto para o Canal Off, em parceria com o Surf & Cult e a Zanella Filmes, mas como não foi aceito, acabou passando na mostra audiovisual do Mimpi. Ele foi gravado ao longo de um ano e meio de viagens, enquanto eu estava filmando para o Benjamin Sanchis.

Quanto que você teve que viajar para gravar essas imagens?

Muito. Eu estava filmando para a Billabong Adventure Division com o Benjamin e a ideia era pegar o swell do ano em qualquer lugar que fosse, do mundo todo. O cara não perdia tempo, assim que via um swell grande a gente ia de última hora. Já chegamos a filmar em três continentes em alguns dias.

Qual foi o pico mais memorável?

Sem dúvida Maverick's. Parece um slab, mas é gigante!

E o maior perrengue?

Acho que também foi em Maverick's. Eu fui num barquinho muito pequeno, de calça jeans e roupa de night (risos). Sorte que nada deu errado, mas fiquei com medo mesmo assim! E outra vez, em Belharra, na França, eu estava filmando de jet ski, com um amigo pilotando, e o jet parou de funcionar num lineup com séries de 60 pés. Eu com a câmera na mão, sem caixa estanque. Passamos duas ondas no limite e o jet ligou.

Qual foi a onda mais treta que você já filmou?

Aileens, na Irlanda. Tive que descer um cliff sinistro, onde só os locais e as cabras descem. Goat track da morte (risos).

Por quê o frio?

Os surfistas Europeus são viciados no inverno. Tem muito swell gigante e menos gente surfando, é só ver o vento de cada país e escolher onde ir.

 Em suas andanças pelo mundo.

Em suas andanças pelo mundo.

O que muda entre filmar performance em ondas menores e ondas grandes?

Em ondas gigantes, o cinegrafista realmente não pode errar. Uma onda é muito especial, pode marcar a carreira de alguém, fechar contratos... Por isso sempre preferi filmar de tripé, assim nunca perco um momento importante.

Por quê você filma surf?

Essa é a minha paixão desde a infância. Sou apaixonado por esse estilo de vida e, como eu não morava na praia, sonhei por muito tempo com surf quando era criança. Na edição, eu tento passar um pouco da energia do que é surfar e viajar -- não sou poético, ou artista.

Em que você anda trabalhando ultimamente?

Fiz um trabalho para a Weedmaps com o Bruce irons, Asher Pacey e Balaram Stack. Foi uma roadtrip de Portugal até a França, pegamos ondas incríveis. Algumas semanas atrás, também fui para as Mentawai com sete grommets de diversos países do mundo. E agora estou filmando três surfistas de San Clemente: Taj Lindblad, Makai Bray e Luke Wyler, todos bem jovens, futuros campeões.

E se você pudesse realizar seu projeto dos sonhos, como seria?

Acho que eu me especializaria em follow cam... filmar enquanto surfo, isso sim é o trabalho da vida, não é? Nada melhor do que surfar.

Conheça mais do trabalho de Pietro: @pietrolf

 Benefícios da profissão: sim, às vezes sobra tempo para surfar.

Benefícios da profissão: sim, às vezes sobra tempo para surfar.