POR TRÁS DAS LENTES // Pablo Aguiar

 
 

Hoje em dia, se você perguntar para os videomakers do surf brasileiro quais são suas referências, tem um nome que aparecerá constantemente nas listas -- Pablo Aguiar. O estilo de direção do catarinense virou referência no mercado e hoje em dia é emulado por muitos. Mas Blitz, como é chamado pelos conhecidos, já está em outra. Depois de ter feito muito filme de surf, sua veia criativa transcendeu o umbigo molhado do esporte e foi buscar outras coisas. E seu novo reel é prova disso -- pela escolha de trilha, por ser inteiramente captado em película, ou pelo simples fato de não ter sequer uma onda. Pois é. Ah, e vale mencionar que ele está montando uma base em São Paulo. Ficamos curiosos com esse movimento, então fomos trocar uma ideia para entender qual que é.

 

Reel em Super 8 de Pablo Aguiar, publicado no @levoyage_

 

Me fala um pouco sobre as escolhas que você fez nesse reel, começando pela mais gritante -- não tem surf.

Ele apenas não tem surf porque é o caminho que estou buscando para os meus trabalhos. Eu amo trabalhar com surf, estar com a galera -- o surf me fez viajar o mundo, mas o universo de filmes é muito abrangente e não quero apenas fazer filmes de surf.

No Mimpi, você disse que filmaria tudo em película, se pudesse. Descontando o fator grana, você acha que o filme supre todas as suas necessidades criativas?

A estética do Super-8, o 16mm ou do Super-16 são as que mais me agradam no momento. Com certeza supre. É algo que te faz pensar mais, você não sai filmando tudo. Acaba vendo o mundo de uma maneira diferente, tem outro sentimento envolvido.

Quanto custa um filme, e quanto rende?

Um filme de Super-8 custa em média 35 dólares, mais revelação e telecinagem em média de uns 100 dólares. Um filme de Super-8 vai render quase uns 4 minutos de imagens brutas.

Você diria que tem uma mensagem nesse reel, ou ele é puramente um portfólio?

Ele é puramente portofolio. Eu fiz vários outros trabalhos em 2017, mas decidi fazer apenas o reel dos trabalhos em que usei a Super-8, porque que é mais essa estética que gostaria de trazer para os meus trabalhos.

Você tá menos interessado em filmar surf performance hoje em dia?

Se rolarem trabalhos de surf, eu vou abraçar porque realmente amo isso. Não diria que estou menos interessado. Mas quero poder fazer outros filmes fora do surf, talvez contar novas histórias.

Fala dos seus projetos atuais.

Nessa semana fechei um trabalho de moda em São Paulo com a estilista Paula Raia e em abril estou indo pra Tokyo fazer um curta-metragem de skate com o Xaparral para o app do Canal OFF. Também estou envolvido com a marca Empty para lançar minha primeira mini coleção de roupas.

Em que momento da sua carreira você parou e pensou "pô, agora sou um filmmaker/diretor"?

Até hoje ainda penso como a gente tem que mostrar pros outros que somos algo, seja diretor, fotógrafo, artista ou qualquer outra coisa que você vai botar no seu perfil do Instagram. Não curto esses rótulos que a sociedade imprimi. Nem sei se eu realmente poderia me autoafirmar como um filmmaker ou diretor.

A galera de Balneário é mais roquenrol que o resto, ou eu tô viajando? Qual que é?

A galera do surf de BC foi muito influênciada pelo punk rock e hadcore. No final dos anos 90 e inicio dos 2000 todo mundo teve banda, rolavam vários festivais dessa cena. Eu nunca tive banda (risos). Mas sempre acompanhei tudo bem de perto porque eram vários amigos fazendo aquilo tudo ali acontecer.

E a cena do audiovisual em BC, como é? Lembro que no Hawaii uns anos atrás você comentou que todo mundo lá agora era videomaker.

Talvez o topo da pirâmide disso tudo tenha sido o Mickey Bernardoni, que na época já filmava, editava e criava seus próprios vídeos. Depois dele, muita gente também começou a querer filmar e editar, seja na área do surf ou não. Éramos todos moleques querendo poder criar algo com vídeo e era pura diversão.

Como é o seu projeto dos sonhos?

Meu projeto dos sonhos é um dia ter a chance de poder fazer um curta e disso um longa. Não relacionado ao surf, mas uma crítica à internet e como nós seres humanos estamos perdendo toda nossa essência por conta disso. Uma mensagem que consiga conscientizar mais as pessoas.

Quais são suas maiores influências?

No surf curto mais a estética do Joe G e fora do surf o Gaspar Noé.

 

Trailer de Enter The Void, longa-metragem de Gaspar Noé. um dos principais diretores cuja estética inspira Pablo