B RANKINGS // Bells Beach

 

Texto: James B

fotos: WSL

Pra quem ainda não conhecia, esse é o B RANKINGS, o ranking alternativo e nem sempre imparcial do James B, o colunista underground e anônimo da MOIST. A ideia é bem simples: A cada etapa do CT eu analisarei cada competidor e emitirei minha opinião baseada na performance dos caras no evento e criarei a minha versão subversiva do ranking WSL.

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Não escondo de ninguém que acho Bells e Margaret River etapas monótonas e sem graça. Mas apesar do começo muito morno, não tenho como dizer que Bells não foi um campeonato legal. Boas ondas nas finais, público vibrando na praia, vitória brasileira, despedida em alto astral do Mick Fanning, treta ao vivo na água entre havaianos, Kelly Slater ausente. O que mais se pode querer de uma etapa do CT?? Aliás, já fazia um bom tempo que eu não vibrava de verdade assistindo uma bateria em um evento da WSL. Mas a final Ítalo Ferreira x Mick Fanning foi sensacional. E encerrou a 2ª etapa do Tour de 2018 com um astral muito positivo. E agora, com o ranking embolado e a necessidade urgente de caras como Filipe Toledo,  John John Florence e vários rookies tem de conseguir um resultado, acho que a última etapa da perna australiana tem tudo para ser interessante.

Mas vamos lá, meu B-Rankings pós Bells Beach. Sintam-se à vontade para criticar ou aplaudir , mas nunca ignorar:

 

 filipe toledo // julian wilson // gabriel medina // ítalo ferreira // owen wright // jordy smith // john john florence //ace buchan // griffin colapinto // mick fanning //  adriano de souza // michael rodrigues // tomas hermes // joel parkinson // michel bourez // wade carmichael // jeremy flores // frederico morais // matt wilkinson // caio ibelli // willian cardoso // connor o'leary // joan duru // kolohe andino // conner coffin // sebastian zietz // jesse mendes // kanoa igarashi  // ian gouveia // yago dora // ezekiel lau //pat gudauskas // kelly slater 

ÍTALO FERREIRA // B-RANKING 01 // WSL 01

Escrever o B Rankings não é fácil. São muitas baterias pra assistir e dissecar, corro o risco de ser odiado pelos caras por causa de minhas análises e prognósticos. Isso sem falar que em todo evento algum competidor surpreende e faz um resultado exatamente contrário ao que eu previa, me deixando com cara de mané. Mas algumas vezes sou tão certeiro quanto o Ítalo no bowl de Bells Beach. Vamos relembrar o que eu falei sobre ele em nosso B-Rankings pós-Snapper Rocks, de duas semanas atrás:

Me arrisco a dizer que o Ítalo é o melhor surfista de backside do Tour atualmente.”

 “Pode ir pra Bells com a cabeça erguida pelo que mostrou em Snapper, e não me espantaria nada em ver o meio-quilo de Baía Formosa entre os top 5 no final do ano. E espero ter a satisfação de assistir ele vencer seu primeiro evento no Tour esse ano.”

Yeah.... uma semana e meia depois, o meio-quilo de Baía Formosa ficou maior que todo mundo pra vencer seu primeiro evento no Tour com muita classe. Lembram que eu falei da técnica do moleque pra acelerar abruptamente a prancha na volta das manobras de backside? Pois Ítalo utilizou esse recurso em todas as suas ondas em Bells e foi recompensado com os melhores scores do evento. Foi o melhor e ainda calou meio mundo de gente australiana na praia, que tinha certeza que Mick Fanning iria vencer aquela final de conto de fadas. O Darren Handley, shaper do Fanning, até agora não deve ter entendido direito o que aconteceu ali. Alguém reparou com atenção nas entrevistas do Ítalo após as baterias em Bells? Óculos enfiado na cara, barbinha malandra e um jeito de falar meio sussurrando, que, guardadas algumas proporções, me lembrou o famoso MP. Sim, Michael Peterson, o gangsta do surf australiano nos anos 70 que aterrorizava os adversários na água era um dos caras mais temidos nas competições em Bells.

Bem, em 2018 Ferreira aterrorizou geral na água também, e deixou todos no Tour se cagando de medo do que pode vir daqui pra frente.

GABRIEL MEDINA // B-RANKING 02 // WSL 07

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Confesso. Até este ano eu nunca via Gabriel Medina como um real contender em Bells Beach. Sempre achei que ele tinha uma dificuldade conceitual de se encontrar naquele lineup e de acertar a leitura da onda em si. Medina gosta de operar em um padrão de alta movimentação, pegando uma onda após a outra, construindo momentum e fazendo as oportunidades de high score aparecerem. E Bells, com suas longas calmarias, representa o avesso a essa postura. Mas foras de série como ele dificilmente não conseguem evoluir e se adaptar a qualquer condição e padrão de surf.

Então o que eu vi em 2018 foi uma abordagem competitiva muito inteligente e, o mais importante: flow. Medina estava MUITO fluido, acertando uma linha e leitura de onda fantástica, alongando as cavadas, algumas vezes até fazendo um fade no take off, dropando pra esquerda pra entrar mais pra trás e assim conseguir rasgar no ponto mais crítico abaixo dos lips muitas vezes cortados ao meio de Bells, que atrapalham demais o surf base-lip, diferentemente de sua antecessora Snapper Rocks. Então Medina sai de Bells com um excelente 3º lugar, perdendo apenas para o campeão irretocável da etapa.

Se Gabriel conseguir mais um bom resultado em Margaret River, amigos.... Se preparem para uma corrida selvagem pelo título mundial de 2018. Como eu já falei em B-Rankings anteriores, a perna australiana é o Calcanhar de Aquiles de Medina. Fazendo uma perna normal para o padrão Medina na Austrália (ou seja, ruim), Gabriel ainda assim se recupera nos meses seguintes e sempre chega ao final do ano com chances de título. Então, qualquer resultado igual ou melhor que uma quarta de final do rapaz em Western Australia vai significar muito mais dor de cabeça para os adversários  e um ano muito mais divertido de se acompanhar o CT.

MICK FANNING // B-RANKING 03 // APOSENTADO

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Aposentado em grande estilo. Poderia ter sido ainda melhor, se não tivesse  cruzado com um diabo da Tasmânia invocado na final. Fazendo uma análise um pouco mais humanizada e profunda e observando em que ponto da carreira estão Fanning e Slater no momento, eu vejo um Mick muito mais sereno, bem visto como ser humano e um atleta mais completo que o americano. Slater, aliás, nas últimas 3 ou 4 semanas foi visto despejando ironias pelas redes sociais contra Barton Lynch e uma piscina de ondas concorrente na Austrália.

Trocando ofensas com o longboarder americano Joel Tudor pelo Instagram. Reclamando vigorosamente contra uma companhia aérea que lhe cobrou absurdos (!) 200 dólares pra transportar suas pranchas. E pra completar a fase negra, deu mais um piti em rede social essa semana porque uma locadora de carros lhe cobrou 55 dólares de multa no cartão de crédito. Por favor... o que são 55 dólares pro surfista mais rico da história do esporte? Pelo menos não a ponto de o cara usar uma rede social em que tem milhões de seguidores pra se expor nesse nível e por esse motivo...

Ou seja, enquanto Slater parece estar envelhecendo amargo e com foco apenas em dinheiro e negócios, Mick se aposenta do surf profissional como um cara idolatrado como PESSOA, querido por todos e, ainda que também muito rico, sem ter de forma alguma uma imagem de egoísta e pedante como a de Slater.

Parabéns ao Mick, ao surf australiano e ao esporte que amamos.

FILIPE TOLEDO // B-RANKING 04 // WSL 11

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Amigos... O que se pode falar quando você está surfando e competindo MUITO bem, mas perde no Round 3 pro cara que você mesmo venceu no Round 3 no evento anterior?

Além disso, o que se pode falar quando o seu total de pontos nessa bateria seria suficiente para ganhar TODAS as outras 11 baterias do mesmo Round?

Ainda, o que se pode falar quando essa bateria foi a melhor de todo o evento até aquele momento, e a ÚNICA em que realmente o nível de surf dos dois surfistas atingiu o ponto em que a elite da elite deveria praticar, pelo menos na teoria,  por default?

Eu falo: Toledo surfou demais em Bells e esse lance de seeding é uma merda de vez em quando. Nem ele, nem Ítalo, nem a audiência mereciam esse confronto eliminatório tão cedo no evento. Mas Filipe surfou na borda, com velocidade, power e flow (já ouviram isso em algum lugar antes?). Que essa derrota merecida e injusta ao mesmo tempo sirva de motivação pra WA.

Ps: será que se Filipe tivesse surfado com menos borda e mais aéreo em sua bateria contra Ítalo, a história da bateria e do evento teria sido escrita de uma maneira totalmente diferente?  Pensem a respeito.

OWEN WRIGHT // B-RANKING 05 // WSL 04

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Era um de meus favoritos pra Bells. E não fez feio, perdendo apenas pro Fanning numa bateria em que nada deu certo. Não é comum ver Owen perdendo fôlego na junção e batendo torto e com o fundo da prancha na finalização de suas ondas em Bells Beach. O cara é sólido. Mas foi isso que aconteceu mais de uma vez com ele nas quartas de final.

Mas Owen está em quarto lugar no ranking, com um 5º lugar na primeira e outro na segunda etapas. Super constante! E Margaret River é tudo que ele gosta. Ondas fortes, com pressão e exigindo um pé pesado na prancha o tempo todo.

Então, pela constância nesse início de ano e pelo potencial de surf que possui, vou manter Big O aqui em cima do meu B-Rankings pós-Bells Beach.

MICHEL BOUREZ // B-RANKING 06 // WSL 04

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Olhem o que eu falei dele em meu B-Rankings pós-Snapper: 

“Mas Bourez não tem do que reclamar das quartas de final e Bells Beach também é uma onda afeita a seu surf de arcos fortes”

Se não me engano, a prancha que Bourez usou em Bells era de EPS (bloco de isopor). A priori, em meu não tão profundo conhecimento de material de pranchas x performance em ondas específicas, sempre achei que em uma onda como Bells, cheia de volume e muitas vezes com batentes a serem vencidos, pranchas de poliuretano tradicional (o PU) teriam uma vantagem sobre as de EPS.

Bem, Bourez surfou bastante em Bells, e sua prancha parecia ter aquela medida a mais de leveza e release pra ficar soltinha em suas rasgadas e snaps logo abaixo do lip.

Na minha opinião, Michel não perdeu sua quarta de final contra Pat Gudauskas. Sua última onda surfada a um minuto e meio pro fim da bateria era suficiente pra virada.

E indo pra Margaret River, etapa em que o tahitiano  já venceu antes, e em uma onda que eu acho ainda mais afeita ao seu surf que Bells.... A vibe tá boa pro lado do cara.

JULIAN WILSON // B-RANKING 07 // WSL 01

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Jules em Bells: surf monocromático, sem nenhum brilho ou tomadas de risco. E ainda assim foi frequentemente supervalorizado e já estava com cheiro de “a bola da vez” no coração da WSL pra 2018.

Ainda bem que a Mãe Natureza resolveu fazer justiça em sua bateria contra Pat Gudauskas no round 3 e o oceano NÃO mandou uma onda salvadora pra Julian nos minutos finais, pois Pritamo e cia. estavam muiiiito afim de dar uma empurrada amiga no australiano.

Um colega de grupo de discussão no Facebook mandou com ótima dose de humor (e muita assertividade) algo mais ou menos assim, que define bem o lance da WSL com seus queridinhos: “quando Julian Wilson passa na frente do palanque, dá pra ouvir lá de baixo os suspiros apaixonados da comissão técnica lá dentro”. Hahahhaha!!! É verdade.

13º lugar em Bells, caiu legal aqui no B-Rankings e deve estar indo com um bocadinho menos de confiança pra Margaret River. 

GRIFFIN COLAPINTO // B-RANKING 08 // WSL 07

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Ouvi várias reclamações quando coloquei o Griffin em 9º no meu B-rankings pós-Snapper. “O moleque quebrou, era pra ter colocado ele mais acima!”

Respondi: calma com o barco que o ano é longo. Vamos ver como ele se sai em Bells...

Bem, Griffin surfou OK em Bells. Mandou um senhor aéreo em Winkipop no Round 1 e outro bacana na derrota pra Matt Wilko no round 3. O rookie precisava de um 7,5 nos últimos segundos, não tinha prioridade. Pegou uma onda intermediária, arriscou tudo num aéreo e completou. Não virou a bateria, mas mostrou mais uma vez confiança e a atitude correta de quem quer chegar chegando na elite. Gostei.

Não sei se o moleque tem experiência em Margaret River, nem olhei ainda o forecast. Mas a real é que, no momento, o californiano está alguns quarteirões à frente dos Yagos e Jessés na corrida pelo título de estreante do ano.

EZEKIEL LAU // B-RANKING 09 // WSL 17

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Só a ombrada que Zeke deu em John John Florence pra dominar o lineup em sua bateria do terceiro round já valeu a participação no campeonato.

Espero que tenha realmente aberto um precedente e um exemplo para seus colegas menos incensados pela mídia e pelos juízes como ele, e que a partir de agora Mr. Florence tenha de, SIM, lutar pra pegar sua primeira onda nas baterias. Será divertido de ver. Bullying times no CT?

Zeke perdeu pra Ítalo em uma quarta de final em que o havaiano não teve a menor chance. É muito interessante ver como o talento pode fazer diferença.

Zeke cresceu surfando Sunset, Haleiwa e viajando o mundo pegando altas ondas. Ítalo vem das ondas quase sempre pequenas do Rio Grande do Norte. Zeke tem 1.85 metros e uns 86 kg. Ítalo, 1.68 e uns 65 kg. Mas em ondas de 6 pés servidas e com volume, foi o brasileiro que surfou com mais força, pressão a atacou o lip como se tivesse nascido pra surfar onda forte.

Resumindo, Zeke: só cara feia e ombrada não vencem bateria. Não contra um brazzo stormer.

Mas enfim: 5º lugar pro havaiano, que já dá uma boa aliviada do péssimo 25º em Snapper Rocks. E ficou acima do John no meu B-Rankings.

JOHN JOHN FLORENCE // B-RANKING 10 // WSL 26

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Tomou duas duras pesadas de seu hawaiian-not-so-brother-now, Zeke Lau, que não se mostrou tão compatriota assim na hora da bateria.

A primeira foi um hassle nervoso na remada pra tomada de posição pra primeira onda da bateria. Florence tentou se posicionar mais pra dentro da prioridade, Zeke jogou duro, deu uma fechada seca de ombro, praticamente sentou na Pyzel de John John. Enquadrou, pegou a primeira onda boa da bateria e já botou pressão no darling louro da WSL. (Martin Potter aplaudiu a “atitude competitiva” de Lau... algum de vocês duvida que se fosse com o Medina o ponto de vista dos gringos seria outro??)

E a segunda dura foi no surf mesmo. Zeke foi mais contundente e assertivo, enquanto Florence caiu em todas as oportunidades que fariam diferença na bateria. Para os que não se lembram, em Snapper Rocks Mike Wright usou exatamente a mesma tática de forçar o posicionamento no início de bateria contra John John. Também fechou o canto, garantiu que seria ele o primeiro a pegar a 1ª onda boa, fez um high score e administrou a prioridade o restante da bateria pra bater o havaiano.

Será que vai abrir um precedente pra todos no Tour? Quer ganhar do John John? Esprema o cara e o pressione forte que ele fala fino.

Resultado péssimo. Um 25º em Snapper, seguido por um  13º lugar em Bells para o atual campeão mundial.

Mas indo pra onda em que na minha opinião ele é o maior favorito no Tour, Margaret River, vou deixar ele mais ou menos aqui por cima no meu B-rankings. Mas tou de olho, Double John.

E vê se deixa de ser frouxo, daqui pra frente, porra! Isso aqui é competição, não sessão de freesurf entre os teus amigos em Ehukai.

ADRIANO DE SOUZA// B-RANKING 11 // WSL 09

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Competitivamente irreconhecível em Bells. 13º lugar.

Conseguiu perder no Round 3 para Conner Coffin precisando apenas de uma nota 3. Pior, pegando provavelmente aquelas que seriam as duas melhores, maiores e mais limpas ondas da bateria, para cair nas primeiras manobras desperdiçando potenciais excelentes de nota.

Mineiro ficou em 9º lugar em Snapper Rocks. Em Bells, pelo seu histórico de vitória e ótimas apresentações no lugar, no prognóstico de muita gente (meu inclusive), um resultado satisfatório seria pelo menos uma quarta de final, o que já qualificaria sua perna australiana em uma média bem mais razoável.

Infelizmente, no surf competição, nem sempre o que se prevê acontece, e agora ADS tem de lamber as feridas que essas quedas tolas em ondas vencedoras de bateria devem ter aberto, pra chegar em Margaret River com um mindset positivo e sacudir a poeira pra cima. Lembrem-se, caros leitores: Mineiro já venceu em Margies, batendo JJ Florence na final.

WADE CARMICHAEL // B-RANKING 12 // WSL 13

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Fez o que se esperava dele. Carmichael foi um dos poucos frontsiders a realmente conseguir surfar com verticalidade em Bells Beach. Assistam sua bateria do Round 2 contra Tomas Hermes e vejam a diferença de abordagem entre os dois surfistas.

Enquanto o brasileiro lutava pra encaixar as bordas na onda e surfava mais lateralmente, Wade conseguia se posicionar de uma forma bem mais agressiva nas cavadas, para bater com muita força e precisão em ângulos de ataque muito mais verticais.

Perdeu numa bateria bem difícil no Round 4 para Owen e Bourez. Mas, surf por surf, pelo menos nas condições de ondas em Bells, Carmichael era MUITO mais surfista pra estar na semifinal que o desengonçado Pat Gudang.

Ponto não tão positivo? Na teoria, Margaret River, com suas ondas estilo A-frame e mais curtas, é menos propícia ao surf estilo pointbreaks-only do australiano. Mas estou curioso pra ver como o cara vai se comportar por lá.

ADRIAN BUCHAN // B-RANKING 13 // WSL 06

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Meu irmão... eu assistindo os Johns, Jordys e Julians perdendo prematuramente e ao mesmo tempo quaaaase vendo Buchan passar pelo Round 3 e, talvez, assumir a liderança do ranking?

É demais pra minha cabeça de metido a entendido em surf competição. Ace Buchan de lycra amarela seria enxaqueca na certa.

Mas ainda assim quase isso ia acontecendo, não fosse uma providencial virada de Jeremy Flores nos últimos 2 minutos de sua bateria no Round 3. Foi por muito pouco.

Ace compete muito bem, e o forte do cara é claramente seu surf de backside em direitas de linha. E é por isso que não me animo a manter Ace Buchan em um lugar alto do meu B-rankings indo pra Margaret River.

JORDY SMITH// B-RANKING 14 // WSL 22

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Mais um 13o na perna australiana? Logo em Bells Beach, onde Smith era provavelmente o principal favorito? Shithole...

Nos últimos 3 anos, os resultados de Jordy em Bells falam por si:

2015: 5º

2016: 2º 

2017: 1º.

Ou seja, o Big fella from Durban estava em uma curva crescente de dominação do Bowl de Bells. Mas como em 2018 as coisas realmente não parecem estar acontecendo como esperado, Jordy foi batido no Round 3 pelo Rookie que melhor surfou por lá esse ano, Wade barbicha.

Pra Jordy, dois 13ºs nas duas primeiras etapas fazem um mal danado nas pretensões de quem quer ser campeão mundial. E como Smith não é um favorito natural em Margaret River, dei uma baixada na posição dele aqui no B-rankings.

A dúvida: depois de dois resultados totalmente inversos às suas ambições, Jordy vai pra Margaret com que abordagem? A de guerreiro com gosto de sangue na boca pra atropelar todos em seu caminho? OU vai como um cara que já não vê,  mais uma vez, chances de ser campeão mundial depois de perder precocemente em sua etapa preferida e começar o ano em 22º no ranking (após 2 etapas)?

MATT WILKINSON // B-RANKING 15 // WSL 19

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Perna australiana nem um pouco satisfatória pra um cara que já venceu em Snapper E em Bells Beach.

Muitos não gostam do surf de backside de Wilkinson. Realmente, a base aberta demais não é tão bonita de se ver, mas o cara mete o pé e quando acerta o ritmo, encaixa uma manobra após a outra com muito flow.

Mas... em 2018 os goofies que estão brilhando se chamam Gabriel Medina, Owen Wright e Ítalo Ferreira. Então Matt vai ter de correr muito atrás nas etapas a seguir para recuperar aquele momentum dos últimos dois anos.

De qualquer forma, Wilko surfou bem em Bells. Perdeu no 4º round para Mick Fanning e Pat Gudauskas por muito pouco e fazendo a melhor nota da bateria.

Mas não vejo Wilkinson conseguindo um ótimo resultado em Margaret River. Pra ele, em relação a oportunidades de resultado, o melhor da perna australiana já ficou pra trás.

FREDERICO MORAIS // B-RANKING 16 // WSL 11

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Frederico nem de longe é o surfista mais empolgante de se assistir.  Surfa com a perna da frente meio dura, e por isso muitas manobras são feitas usando o fundo da prancha. Mas tem sido eficiente no Tour. O seu forte são pointbreaks pra direita, de preferência parecidos com Coxos, seu home spot em Portugal.

E Bells é justamente uma dessas ondas. Além disso, o português descobriu  a fórmula de competir ali. Escolher pelo menos duas ondas com potencial pra encaixar no lugar certo da bancada, fazer pelo menos uma manobra forte no outside e não errar na transição com o inside e finalização. Parece óbvio, mas muitos se perdem, literalmente, tanto na escolha quanto na leitura de ondas em Bells. Não Morais.

Resultado: um ótimo 5º lugar, perdendo apenas pra um Gabriel Medina que finalmente se encontrou no lineup de Bells e estava difícil de bater.

JEREMY FLORES// B-RANKING 17 // WSL 13

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Jeremy foi Jeremy padrão em Bells. O que eu quero dizer com isso? Que o francês já está no Tour há uma década e nunca teve um resultado excelente na segunda etapa.

O forte de Flores são ondas tubulares, vide suas vitórias passadas no Pipe Masters e no Tahiti. Então, um 9º lugar em Bells é pra ser guardado, se não com o carinho de uma ótima colocação, mas como valiosos 3.700 pontos que podem se tornar importantes ao final de um ano em que o Tour está cada vez mais difícil e com rookies querendo a todo custo tomar o lugar da geração anterior.

WILLIAN CARDOSO // B-RANKING 18 // WSL 22

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Cardoso se comportou exatamente como eu previa em Bells. Fez seu power surf de arcos muito fortes, usando seu peso como um fator joga água/amassa borda. Dessa maneira venceu convincentemente Caio Ibelli, ex-finalista em Bells, no Round 2.

Também achei que ele surfou muito bem em sua derrota pra Gabriel Medina no Round 3. Cardoso não é um queridinho da comissão técnica da WSL. Seus power laybacks contra Medina foram muito mais poderosos que todos os que Conner Coffin fez no evento. Mas foram sub-valorizados pelos juízes.

Perdeu para Gabriel mais pela frieza competitiva e assertividade do adversário do que por falta de surf de alto nível. Willian tem suas limitações e, pra vencer os fora de série desse Tour, o cara tem de fazer TUDO certo. Como resultado, um 13º não foi uma boa, pois na minha opinião Bells teria de ser um dos resultados keepers para Cardoso em 2018.

Mas pode levantar a cabeça e ir com força pra Margaret River. Se conseguir pelo menos um 9º lugar por lá, já valeu a perna australiana.

JOEL PARKINSON // B-RANKING 19 // WSL 22

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Ok... Se Mick Fanning, 3x campeão mundial e AINDA vencendo eventos e dando uma certa dura na nova geração está se aposentando… O que Joel Parko ainda faz nesse Tour?

Quero dizer, o cara já foi campeão do mundo (título safadamente empurrado, na minha opinião),  mas está numa fase da carreira em que não consegue passar do Round 3 em Snapper (ou seja, em casa) nem em Bells (ou seja, segunda casa), sendo rotineiramente escovado pela nova geração.

Há surfistas piores que Parkinson na elite atualmente? Sim, há. Mas minha pergunta principal é: em que o cara ainda pode agregar ao surf competitivo profissional e à sua própria carreira de ex-campeão mundial no momento??

Ondas com 6 cutbacks em Bells para fazer uma nota 4.5? Muito pouco. Fanning, que não é bobo, está saindo por cima, com moral e passe valorizado.

Se Parko não tomar uma atitude nesse sentido, em breve será mais um daqueles dinossauros do circuito de quem nenhum rookie tem medo de cair na bateria.

KOLOHE ANDINO // B-RANKING 20 // WSL 22

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Kolohe está correndo o sério risco de ao final da temporada ser substituído no coração da mídia e audiência americanas pelo novato Griff Collapinto, que se bobear vira em 2018 o novo príncipe de San Clemente (o rei é o Filipe Toledo, hehehehe). Se em Margies o rookie fizer um bom resultado e Kolohe se der mal, não tenham dúvida que a pressão nos ombros do California Golden Boy vai aumentar alguns bons quilos.

Surfou bem no Round 1, virando pra cima de Willian Cardoso nos 5 minutos finais.  Mas aí vi Andino enterrando muito a borda de dentro em várias manobras em sua derrota contra Michel Bourez no Round 3.

Se conselho fosse bom, seria pago, e na verdade agora já é até muito tarde pra isso...

Mas ano que vem não custaria nada a Kolohe encomendar uma Simon Anderson e uma Maurice Cole antes do evento começar e fazer uns test drives, pra ver se surfando com pranchas dos shapers experts locais seu surf fica mais aggro e começa a cravar melhor essa borda nos bowls de Bells.

MICHAEL RODRIGUES // B-RANKING 21 // WSL 17

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Perdido tanto em Winkipop quanto em Bells. Foi totalmente dominado por Ítalo Ferreira em sua bateria no Round 3, tanto na escolha quanto na leitura de ondas e na diferença da abordagem mais vertical e incisiva do local de BF.

Mas afinal, quem disse que ter sucesso no Tour seria fácil? Em meu B-Rankings pós Snapper, falei que a onda na Gold Coast era a que melhor encaixava no surf tanto do Michael quanto do Thomas Hermes, e que eles souberam aproveitar muito bem a oportunidade.

Já em Bells, a história foi diferente e serviu para dar um choque de realidade no rookie.

Prognóstico do cabra pra Margaret River? Não faço a menor ideia, irá depender diretamente do forecast. Então, por enquanto, desce um pouco no B-Rankings para se adequar ao péssimo resultado em Bells Beach.

SEBASTIAN ZIETZ // B-RANKING 22 // WSL 26

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Seabass tomou uma verdadeira aula de surf competição do tio Mick Fanning no Round 3.

A 9 minutos pro final, Fanning vendeu uma onda intermediária sem potencial nenhum de score pra Sebastian, que caiu bonito na malandragem, foi na onda e perdeu a prioridade pra marcar míseros 2.93 pontinhos e, na volta, ter o desprazer de assistir Mick pegar a melhor onda da bateria, fazer uma nota acima de 7 e despachar o cabeludo do Kauai direto pra Margaret.

Zietz não é novo no Tour, e já deveria ter aprendido que surfando contra os seeds altos, como Fanning, Medina e Jordys da vida, qualquer erro tático pode significar a derrota, menos pontos no ranking e $$ na conta no final do mês.

Mas sabe o que é pior? O cara fez um 25º lugar na Gold Coast e logo em seguida um 13º em Bells... Eu jogo ele lá pra baixo no B-Rankings... e ele vem e em seguida ganha a próxima etapa, rolando abaixo a minha delicada reputação de surfing analyst pelos degraus da escadaria de Margaret River. Então vou deixar o sujeito mais ou menos aqui pelo meio no meu ranking.

PATRICK GUDAUSKAS // B-RANKING 23 // WSL 09

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Ah, mermão, tenha santa paciência. Vou entender a semifinal de Patrick em Bells como uma exceção, ponto fora da curva, uma anomalia WSLiana.

Caros leitores da Moist, sou só eu que vejo isso, ou o surf desse americano não é péssimo, horrível de se assistir?

As cavadas saem sempre em dois tempos. Me dá a impressão que ele pisa com o pé da frente muito pra trás na prancha, então o bico sempre fica meio solto e tremendo. Por vezes, o conjunto surfista x prancha parece sofrer um ataque epilético em plena onda. Assistam no heat analyzer e digam suas opiniões..

Então, mesmo com uma semifinal em Bells, tou mantendo o cabra aqui mais embaixo no B-Rankings, pois juro que não o acho merecedor de estar mais acima, não interessa em que posição ele esteja no ranking, pelo menos nesse momento.

Amém.

TOMAS HERMES// B-RANKING 24 // WSL 09

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Eu já imaginava que não seria provável que Tomas repetisse o resultado de Snapper em Bells. Eu não lembro de nenhum rookie que tenha conseguido chegar forte no Tour logo em seus primeiros eventos desde Ítalo Ferreira. E Tomas, com todo respeito, não é um talento como Ítalo.

Hermes fez um primeiro round razoável em Winkipop, perdendo para John Florence. Mas no Round 2 foi facilmente batido por um especialista naquele tipo de onda, Wade Carmichael. Era evidente a maior facilidade do australiano em encaixar a borda nas curvas e meio-lips de Bells, surfando com mais virulência e mais água pra fora.

Mas para qualquer rookie, arrumar um bom resultado na perna australiana já é um bom resultado. E Tomas arrumou um ÓTIMO resultado na primeira etapa, então esse 25º em Bells ainda não toma uma proporção maior que o 3º em Snapper Rocks na lembrança coletiva.

Resumindo: ainda há momentum no tanque de combustível do brasileiro, e um bom resultado em Margaret (que eu não acho provável) seria a cereja no bolo de um excelente começo de ano.

JESSÉ MENDES // B-RANKING 25 // WSL 26

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Venceu o francês Joan Duru com autoridade no Round 2, pra em seguida ser guilhotinado no Round 3 por um Owen Wright MUITO mais potente e sintonizado com as ondas do Bowl.

Foi uma bateria em que Jessé escolheu ondas com bem menos potencial que as do australiano e deu pra ver claramente a diferença de peso no pé entre os dois.

Mas cá entre nós, Owen praticamente cresceu surfando ali e conhece muito do lugar. Então esse 13º de Jessé, pra mim, foi um resultado normal de um rookie em Bells em seu primeiro ano de Tour. Mas como não comparar com o que o americano Collapinto tem mostrado até agora?

Margaret River é uma onda que encaixa melhor no surf de Jessé que Bells (a não ser que o mar em WA esteja gigantesco). Então espero um resultado melhor que 13º para o brasileiro por lá. Senão, hora de começar a se inscrever em todos os QSs acima de 6.000 pontos daqui pra frente. 

Just in case, you know...

YAGO DORA // B-RANKING 26 // WSL 25

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Dois eventos na perna australiana e duas derrotas no Round 2. Vida dura para o wonder boy da nova geração da brazilian storm. Dois 25ºs lugares que, juntos, somam irrisórios 1000 pontos no ranking. Expectativas nacionais e globais, até agora, não sendo atendidas.

Yago surfou com botinha de neoprene em Bells. Sinal de que o frio de Victoria podia estar atrapalhando o brasileiro. Bem, eu já usei botinha na Indonésia e, pra mim, a sensibilidade, principalmente no pé da frente, fica muito prejudicada. E juro que senti falta desse sentimento de estar solto na última onda de Yago que poderia ter virado a bateria contra Conner. O aéreo reverse na última manobra poderia ter sido um pouquinho mais alto e agressivo, e talvez tivesse feito a diferença.

De qualquer forma, vi melhora na performance em Bells. Acho inclusive que sua derrota para o americano foi bem injusta. Yago arriscou mais, surfou com mais verticalidade e deveria ter vencido o surf  anos 80 do americano. 

Então está mais que na hora de elevar ainda o jogo pra tentar sair de Margaret com o primeiro resultado bom no ano.

CONNER COFFIN// B-RANKING 27 // WSL 13

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Conner exemplifica muito bem problemas como a ainda existente inconstância no padrão de julgamento da WSL. Se o critério assumido publicamente pelo novo head judge é de valorizar o surf progressivo e inovador, como Coffin venceu Yago Dora no Round 2, surfando com ZERO inovação?

O americano chega ao cúmulo de alongar suas cavadas pra não precisar bater verticalmente, preferindo sempre manter um mesmo vai e vem de cutbacks/rasgadas/laybacks,

Ou seja, é um dinossauro de vinte e poucos anos vencendo surfistas muito mais progressivos e interessantes de se assistir. Ficou em 9º lugar em Bells, e não vejo o surf dele de forma alguma tendo destaque em Margaret Rver.

CONNOR O'LEARY // B-RANKING 28 // WSL 26

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Bom surfista de bacskide. Cometeu erros bobos nessa etapa, como uma embicada básica em sua melhor onda na bateria de 1º Round em Winkipop, que pode ter lhe custado a vitória, uma passagem direta por 3º round e, consequentemente sua NÃO eliminação para Zeke Lau no Round 2. E se há algo que o nível atual do CT não admite, amigos, são erros bobos em baterias.

Agora O’leary tem um 13º em Snapper e um 25º lugar em Bells pra assombrar suas noites. E daí em diante as coisas não tendem a melhorar, pois a tchurminha da Brazzo Storm vai vir com sangue no olho pra brigar pelo título mundial (os de cima da tabela) e lutar contra o rebaixamento (os de baixo na tabela).

KANOA IGARASHI // B-RANKING 29 // WSL 19

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Jake “the prego” Patterson pode lá ter seus muitos defeitos. Mas vamos lá… O cara tá fazendo um bom trabalho de coach com essa meninada. Zeke Lau, Kanoa e Griffin (se tem outros agora eu não lembro) estão surfando no critério e evoluindo.

Kanoa, mesmo perdendo no Round 2 e amargando um azedo 25º lugar, não surfou mal. Assisti suas ondas e o moleque teve uma onda muito bem surfada tanto no Round 1,  quanto no segundo. Me deixou uma impressão melhor que, por exemplo, o brasileiro Michael Rodrigues.

Dica para Michael, Jessé, Ian, Thomas e Cardoso: façam uma vaquinha e contratem um Jake Patterson da vida pra lhes auxiliar no restante do ano. Pode fazer a diferença.

CAIO IBELLI // B-RANKING 30 // WSL 31

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Inacreditável. Perdendo para Willian Cardoso em sua bateria do round 2 por uma margem bem pequena, a 4 minutos do final, com prioridade, precisando de um score baixo pra virar a bateria... Ibelli escolhe uma onda com potencial, cava e cai na primeira manobra, somente pra entregar a prioridade para o Panda a 2 minutos e meio do fim.

E ainda assistiu de camarote uma última onda boa entrar a 15 segundos do término ser surfada muito bem por Willian, que marcou mais uma nota acima de 6 pra despachar o baixinho pra Margaret River mais cedo. Ibelli é um cara que sabe virar baterias sob pressão nos minutos finais. Somente contra John Florence, eu devo ter assistido ao vivo pelo menos umas 2 vezes.

Não seria a hora de rever a decisão de largar as Xanadus? Se não apenas pela performance, aquelas pranchas deveriam funcionar também como amuleto da sorte pra ajudar Caio a não cometer mais barbeiragens desse nível no CT.

Pra quem já foi finalista em Bells e é um excelente surfista em ondas pra direita, dois 25ºs lugares nas duas primeiras etapas da perna australiana são nada menos que um pesadelo.

 

IAN GOUVEIA // B-RANKING 31 // WSL 31

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Mais uma derrota no round 2 e mais um 25º lugar. 

Continuo achando a escolha de ondas de Gouveia seu maior ponto fraco no CT. Somado a um surf que usa muito o fundo da prancha e menos as bordas, o resultado são scores achatados em relação ao potencial que eu vejo no surf do garoto.

Também tive frequentemente a impressão de que as pranchas do Ian estavam muito pequenas (o que aparentemente diminui a amplitude das manobras) e muito largas (o que aparentemente deixa seu surf menos rail-to-rail).

Se um bom resultado não vier em Margaret River, será hora de já começar a focar no QS, pois um bom plano B nunca é má ideia. Perguntem a Wiggolly Dantas se sua estratégia em 2017 valeu a pena...

 

JOAN DURU // B-RANKING 32 // WSL 31

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Esse foi uma decepção pra mim em Bells. Eu realmente acho que o surf de backside do francês é sólido suficiente para conseguir bons resultados em ondas como Bells e J-Bay. Surfa base-lip, sem firulas e com muita força e pressão na cavada.

No Round 1, perdeu pra Julian Wilson com uma virada do australiano na última onda com menos de um minuto pro fim da bateria. Jules foi super valorizado pelos juízes (grande novidade…)

Já no round 2, Duru encarou um Jessé Mendes que achou ondas com lip pra mais manobras verticais. Na verdade, foi exatamente isso que aconteceu a 8 minutos pro fim da bateria. Assistam no heat analyzer, se quiserem: Joan tinha prioridade, deixou a primeira onda da série (que quebrou mais em pé) pro Jessé e pegou a segunda da série (mais deitada).

Resultado? Jessé classificado e Duru eliminado em 25º numa etapa que poderia ser um dos resultados pra guardar ao final do ano.

KEANU ASING // B-RANKING 33 // WSL 31

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Acho a onda de Bells mais afeita ao surf de Keanu que Snapper Rocks. Isso por que na Gold Coast o fator progressividade é mais latente, e Asing definitivamente não é um surfista inovador.

Então as linhas mais longas e horizontais de Bells seriam talvez uma oportunidade para um resultado melhor que o 25º da primeira etapa. Não foram. Mais uma derrota no Round 2 para o havaiano, que ruma pra Margaret novamente sem promessa de melhores realizações esse ano.

KELLY SLATER // B-RANKING 34 // WSL 31

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Ausente e só fazendo besteira nas redes sociais.