B RANKINGS // Portugal

 

Texto: James B

fotos: WSL

Pra quem ainda não conhecia, esse é o B RANKINGS, o ranking alternativo e nem sempre imparcial do James B, o colunista underground e anônimo da MOIST. A ideia é bem simples: "a cada etapa do CT eu analisarei cada competidor e emitirei minha opinião baseada na performance dos caras no evento e sua colocação no ranking WSL e criarei a minha versão subversiva do ranking WSL".

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Já começo minha análise questionando: com TANTA onda boa em Portugal, será que Supertubos é a melhor opção para a etapa lusitana do CT? Mesmo dando altas ondas em alguns momentos, com todos os fatores de variações de vento e maré durante o dia Supertubos se transforma em uma onda complicada demais. O problema é a falta de oportunidades em 30 minutos. Quando você assiste seis baterias em sequência com a elite da elite do surf mundial não conseguindo pegar duas ondas sequer razoáveis e somando pontuações abaixo de 5 pontos, meus amigos... Tem algo muito errado acontecendo ou alguma decisão sendo muito mal tomada. Hossegor também é uma onda cheia de humores e variáveis, mas muito mais versátil e, novamente, oferecendo muito mais oportunidades para os competidores.

E nessas condições, mais uma vez Medina sobrou, competindo como um mestre e transformando um final de ano que parecia ser morno, sem graça e com título mundial dado de mão beijada pro John John, num mês de dezembro que vai pegar fogo em Pipeline. Não esqueçam: os resultados em Pipeline nos últimos três anos são muito mais favoráveis ao brasileiro que ao havaiano.

Mas vamos manter os pés no chão: Florence ainda está bem na frente no ranking e só depende dele pra conquistar o bi campeonato. Mas pela amarelada do Florence nas quartas-de-final contra Kolohe e pelo momentum em que está o Gabriel (venceu as últimas 3 etapas contando com a piscina do Kelly Slater),  de uma coisa eu tenho certeza: não tenho certeza de nada!

gabriel medina // john john florence // julian wilson // jordy smith // adriano de souza // owen wright // filipe toledo // ítalo ferreira // miguel pupo  matt wilkinson // frederico morais // mick fanning // joan duru // jeremy flores // sebastian zietz // michel bourez // kolohe andino // caio ibelli // ace buchan // wiggolly dantas // connor o'leary // joel parkinson // jadson andré // kanoa igarashi  // ian gouveia // ezekiel lau // conner coffin // jack freestone // leonardo fioravanti // josh kerr // stuart kennedy // ethan ewing // bede durbidge // kelly slater

GABRIEL MEDINA // B-RANKING 01 // WSL 02

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Você já ouviu a expressão “um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar”? Bem, nas duas últimas semanas, um raio de 50.000 volts caiu em cima de John John Florence, suas amadas Pyzels e do sonho dourado de um Título Mundial fácil e sem oponente ainda em Portugal.

Gabriel Medina realizou o impensável na Europa: vencer na França era uma boa probabilidade, pelo seu retrospecto em Hossegor. Mas emendar uma segunda vitória imediatamente em seguida em Portugal, marcar 20.000 pontos em dois eventos, colar em John John no ranking e ir para Pipe com gosto de sangue escorrendo da boca e TODO o momentum do mundo? FUCK YEAAAAHHHH!!!

Agora é torcer pra rolar uma verdadeira Pipe de Janeiro durante a última etapa, com centenas de brazzos com cartazes, bandeiras do Brasil e gritando “Sou brasileirooooo!!! Com muito orgulhoooo!!!!” a semana inteira do campeonato pra infernizar ainda mais a cabeça do John John, que já deve estar meio avariada desde agora!!

VAI, BRAZIL!!!

*Se a Moist pagar minha passagem, vou cobrir o evento com o maior prazer, Steven!

JOHN JOHN FLORECE // B-RANKING 02 // WSL 01

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Com o derretimento pessoal de Jordy Smith na perna europeia (de alguma forma até já esperado), uma semi final na França e 10.000 pontos à frente de Medina no ranking, tudo o que John John tinha a fazer era continuar passando tranquilamente suas baterias pra comemorar um bicampeonato mundial praticamente antecipado.

Mas Florence, Ross Williams e John Pyzel não contavam com o fator Medina duas vezes seguidas em Portugal. Muito menos perder pro Kolohe Andino nas quartas-de-final, marcando escrotíssimos 3.8 pontos em duas ondas. Será que o velho John  John amarelão voltou ao jogo, enquanto o velho Medina matador voltou das cinzas? A conferir em Dezembro.

Na verdade, Florence teve até sorte neste evento. Se o wildcard português Vasco Ribeiro tivesse sido mais macho, nos últimos segundos de sua bateria no Round 3 e precisando de um score abaixo de 7 pra virar em cima do havaiano, uma direita com rampa PERFEITA pra um aéreo teria sido a catástrofe total. Assistam no heat analyzer e me digam se concordam. Mas o português NÃO foi matador e perdeu a chance de virar uma lenda em frente a seus patrocinadores e toda a mídia local e mundial.

Resumindo o pós-Portugal para o #TeamJohn? Uma dor de cabeça bem chata chamada Gabriel Medina vai ficar zumbindo entre as orelhas dessa turma nos próximos 40 dias até o Pipe Masters. É bom demais!!!

JULIAN WILSON // B-RANKING 03 // WSL 04

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Pois é… Não tem como deixar de pensar, QUASE que aquela história de 2012 se repete. Final em Portugal, Medina x Julian. Pensei: "Essa porra vai dar merda de novo...". Se Jules ganhasse mais essa final contra o Medina, ainda mais depois de um histórico com a vitória no Pipe Masters de 2014 (roubado) e este ano no Tahiti sobre o brasileiro, não tenham dúvidas, caros leitores da MOIST: virava história de freguês.

Mas Medina parecia realmente focado em não perder mais uma final pro australiano, e mesmo caindo em vários aéreos que poderiam ter dado uma tranquilidade enorme durante toda a final, Gabriel no finalzinho fez seu trabalho bem feito e levou essa.

Julian já fez final em Pipe, em Fiji e no Tahiti. Está indo pro Hawaii com chances matemáticas de título, então não tenho como não colocar o cara aqui em cima no B Rankings. Eu preferia que fosse o Ítalo ou o Toledo, mas fazer o que? Tenho de conviver com isso.

OWEN WRIGHT // B-RANKING 04 // WSL 05

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Dos caras que até a Europa estavam ainda matematicamente na briga pelo Título Mundial, Owen foi um dos que mais foram prejudicados pela decisão da WSL de correr várias baterias de R2 em um final de tarde bem inconsistente em Supertubos.

Após a bateria, Big O ainda se queixou de que a WSL não deveria ter colocado a rodada na água naquelas condições, mas fazer objeção DEPOIS de perder não ajuda mais em nada. Na real, o que eu sinto é que os atletas hoje em dia estão morrendo de medo de expressar publicamente qualquer opinião contrária  à WSL com medo de retaliação (e isso é uma merda, mas é tema pra outro momento).

Agora, Owen tem mais de um mês pra reagrupar as ideias e ir com tudo pra um final de temporada sólido em Pipeline. Vai ser a volta do cara pra competição na onda que quase encerra sua carreira e sua vida há dois anos, e vai ser muito interessante ver a abordagem dele se o mar estiver grande. Lembrando que em Pipe, Fiji e Tahiti, o Avatar é favorito sempre!

SEBASTIAN ZIETZ // B-RANKING 05 // WSL 10

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Sebastian era minha aposta pra semifinal novamente em Portugal, depois do resultado fantástico na França. E tudo estava indo bem até Seabass voltar a ser Seabass nas quartas, quando, precisando de uma nota 2 (!) pra virar a bateria sobre Julian Wilson, em duas oportunidades conseguiu não completar uma segunda manobra simples e não passou de 1.9 (!!!).

Esse frequente curto circuito cerebral competitivo é o que continua afastando Sebastian de um lugar tranquilo no Top 10 e tirando um bocado de $$ da conta dele ao final de cada temporada. E olha que o custo de vida no Kauai não é assim tão barato, brother... Mas o momento do cara está bom, ele é havaiano e conhece muito bem Pipe, então eu tô mantendo ele aqui em cima no nosso B Rankings.

MICK FANNING // B-RANKING 06 // WSL 12

O que se pode falar de um ano em que Mick Eugene Fanning -- o tricampeão mundial que, entre outros feitos, já brigou com tubarão e "descobriu” a irmã gêmea pra direita de Skeleton bay -- não conseguiu passar das quartas-de-final nenhuma vez em nove eventos? I-n-a-c-r-e-d-i-t-á-v-e-l!

Novamente, Fanning chegou às quartas nas duas etapas da Europa. E nada além disso, sendo atomizado por John John na França e por Medina em Portugal. Sinal dos tempos e da troca de guarda acontecendo em real time no circuito mundial. De qualquer forma, sentado confortavelmente na 12ª posição no ranking,  Mick está tranquilinho pra 2018 e tem know how e experiência de sobra pra fazer bonito em Pipeline em dezembro.

(nota do editor: essa história de troca de guarda já tá mais clichê que casamento em final de novela)

JOEL PARKINSON // B-RANKING 07 // WSL 11

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Um 13º não era o resultado que Joel esperava em Portugal após uma quarta-de-final na França. Foi totalmente dominado pelo grommet Kanoa Igarashi no R3 e eu não consigo deixar de soltar um sorriso maroto sempre que o Joel perde... Bom demais.

Mas em 11º lugar no ranking e rumando pro Hawaii, Parko está em cruising mode. Se a direita de Backdoor estiver funcionando melhor que a esquerda de Pipe, ele sem dúvida é um dos favoritos a estragar as pretensões de Título Mundial dos caras lá em cima do ranking.

Será que Joel seria macho pra ir pra cima do John John em Pipe em um Round 3 e facilitar a vida do Gabriel Medina? Poucos aqui devem se lembrar, mas Parkinson fez exatamente isso alguns anos atrás contra Kelly Slater em uma final do Pipe Masters com quatro atletas, bloqueando o Careca em uma boa onda e dando o título mundial pro seu amigo Andy Irons. Até hoje eu acho que o Slater não perdoou essa história. Deve ter convidado o Joel pro evento na piscina dele muito a contragosto... O Careca é foda, rapá.

KOLOHE ANDINO // B-RANKING 08 // WSL 08

Kolohe fez três semifinais nos últimos quartos eventos. Top 8. Pegou bons tubos e saiu da Europa com muita confiança pra temporada havaiana. Eu, como muitos sabem, não sou fâ do Kolohe. Mas só de ele ter vencido John John nas quartas de final e facilitado um pouquinho mais a vida de Medina pra Pipeline, já valeu demais a performance dele em Portugal.

Andino está tendo um segundo semestre exatamente oposto ao de Ítalo Ferreira, que tem sido incensado por muita gente (inclusive eu) como a próxima estrela da Brazilian Storm a disputar o título mundial -- e que, ao contrário, não arrumou basicamente nada em 2017. Aliás, Foi Kolohe quem bateu o brasileiro no R3 e o mandou de volta pro Rio Grande do Norte com mais um resultado ruim.

Que a atitude do americano este ano sirva de exemplo pra um bocado de competidores neste finalzinho de temporada e pra todo ano de 2018.

JOSH KERR // B-RANKING 09 // WSL 33

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Se aposentando do Tour, Josh praticamente acabou com as chances de Título Mundial de Jordy Smith em uma bateria de Round 3 em que, juro, a impressão que eu tive foi de que Kerr QUERIA perder pro sul-africano, sem trocar nota e sem fazer um mínimo de marcação no adversário. Nem assim...

Josh é muito bom de tubo e de onda grande e, pra quem não lembra, foi o responsável por tirar Kelly Slater do caminho de Joel Parkinson na conquista do título do australiano alguns anos atrás em Pipeline. Então vai ser interessante ver como mr. Kerrzy irá se comportar em Pipe se cair numa bateria contra Medina, John John, Jules ou Jordy.

MIGUEL PUPO // B-RANKING 10 // WSL 23

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Só faço subir o Miguel no B Rankings nas duas últimas etapas. E merecidamente. Duas quartas seguidas na Europa não fazem mal algum pra confiança, posição no ranking e conta bancária de qualquer pai de família sul-americano.

Miguel perdeu em Portugal em uma quarta-de-final em que ele foi nitidamente underscored em sua melhor onda, um tubaço pra esquerda seguido de uma manobra bem forte. Isso com certeza afetou a estratégia de bateria do brasileiro, que poderia ter ido mais longe no evento e talvez até estar a salvo no ranking nesse momento.

De qualquer forma, Pupo subiu quase dez posições no ranking, em duas etapas. Está em 23º, encostado na linha de corte e só depende dele para mudar uma situação de “correr QS sem grana em 2018” para “continuar na big league e aprender com os erros do passado”.  Pupo já fez isso em Pipe alguns anos atrás, e vamos ficar na torcida por um bom resultado no Hawaii.

MICHEL BOUREZ // B-RANKING 11 // WSL 16

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Minha única recordação do tahitiano em Portugal foi no R1 contra os brasileiros Jadson André e Filipe Toledo, quando Michel pegou aquele “tubo que quase não foi tubo” que valeu 8.5, uma onda grande mas em que Bourez praticamente não entubou, mas foi suficiente pra um ganhar um high score e pra despachar os brazzos pro Round 2.

Essa fração de segundo foi o mais entubado que Bourez ficou nessa onda pra ganhar um 8.5. Apenas um ponto e meio abaixo da perfeição imaculada? Tamanho de onda é critério? Onde está isso no livro de regras da WSL? Essa onda do Michel só serviu pra mais uma vez me lembrar a falta de um critério coerente do quadro de juízes da WSL. Assistam no heat analyzer e tirem suas conclusões. Mas Michel é o atual Pipemaster, pode tranquilamente se dar bem no Hawaii e, por isso, estou colocando ele aqui em 11º no B Rankings.

JORDY SMITH// B-RANKING 12 // WSL 03

Ah, Jordy, Jordy... Tua performance na perna europeia de 2017 vai ficar na história do surf competitivo como um exemplo fantástico do que NÃO deve ser feito na reta final da corrida pelo Título Mundial.

Em Portugal, Smith não pôde culpar ninguém além dele mesmo por mais um resultado desastroso (ainda mais comparado a Medina e John John). Em sua bateria contra o devagar-quase-parando Josh Kerr no R3, o até aquele momento vice-líder do ranking Jordy conseguiu amarelar contra um adversário que NÃO queria batê-lo. Jordy precisava de uma nota 4.51 pra virar a bateria a dois minutos do fim, pegou uma esquerda com bom tamanho e potencial de manobras. Uma onda com potencial fácil para mais de 7 pontos. E ALISOU. Duas manobras sem comprometimento e risco, uma nota 4 e um adeus a Título Mundial em 2017.

Fica a lição final que diferencia Jordy Smith de caras como Florence, Medina e Toledo. Verdadeiros campeões não temem arriscar tudo quando mais se precisa. Jordy tremeu, temeu e por isso perdeu. Alguém ainda consegue ver um Jordy motivado, aniquilador e batendo os líderes em Pipe? Not me.

JEREMY FLORES// B-RANKING 13 // WSL 19

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Essa não foi uma temporada europeia boa para o local Jeremy. Um 13º em casa, na França e um ainda pior 25º em Portugal, em ondas tubulares. Caiu pra 19º no ranking e vai ter de mostrar um mínimo de serviço no Hawaii pra não correr riscos de ficar de fora da festa em 2018, inclusive porque tem uma turma vindo embalada lá de trás da tabela que vai tentar de tudo por um resultado em Pipeline.

Mas o cara já é muito bom de tubo, já foi um Pipemaster e já ganhou no Tahiti, e é amicíssimo do Sunny Garcia. Por isso, estou deixando ele aqui perto dos Top 10 do meu B rankings pós-Portugal.

ADRIANO DE SOUZA// B-RANKING 14 // WSL 07

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Dois 13ºs na Europa, perdendo pra um Miguel Pupo em “save my ass mode” tanto na França quanto em Portugal? Mineiro não merecia isso, mas também não brilhou nem mostrou a tenacidade avassaladora que nós já nos acostumamos a ver bateria após bateria, evento após evento.

Ainda assim, a regularidade de Adriano é impressionante. Não perdeu no R2 em nenhuma etapa na temporada, e com a vitória no Rio de Janeiro e mais algumas quartas-de-final durante o ano, está confortavelmente instalado dentro dos Top 10.

Agora é refletir no que deu errado na Europa, ajustar o prumo do barco e ir pro Hawaii com um quiver novinho de Merricks pra ir bem em Pipe e tentar finalizar o ano dentro dos Top 5. Não cometam o erro frequente de subestimar o Mineiro e não esqueçam: ele já ganhou o Pipe Masters e fez finais em etapas de WQS ali.

ADRIAN BUCHAN // B-RANKING 15 // WSL 15

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Ace perdeu no R3 em Portugal pro rookie Connor O´Leary em uma bateria com altos tubos, mas achei o resultado injusto.  Connor tinha um 9.40  num tubaço, mas sua segunda nota foi um seis e pouco num tubo de backside que eu achei muito supervalorizado.

Faltando dois minutos, Ace precisava de um 7.24 e teve a chance de virada, pegando uma esquerda com um bom tubo, uma rasgada invertendo bem e uma batidinha de finalização. Score recebido: 7.0 e passagem de volta pra casa. Mas meu ponto é: entre essa segunda rasgada e a batida na junção, Adrian perdeu um pouco o equilíbrio, cavou errado e não finalizou a onda como poderia. Será que alguns anos atrás Ace teria conseguido uma finalização mais contundente e a nota que precisava? Ou ainda, será que um aereozinho normal na junção também não teria feito diferença?

A real é que, nesse Tour, pequenos detalhes podem fazer muita diferença ao final de uma bateria e, cada vez mais, os competidores com mais recursos, variedade e cartas na manga tendem a vencer os dinossauros do circuito, e as coisas não vão ficar mais fáceis pro mr. Buchan em 2018.

WIGOLLY DANTAS // B-RANKING 16 // WSL 24

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Wiggolly perdeu no R2 em Portugal, perdendo pro brasileiro Caio Ibelli numa bateria em que os scores falam por si: Caio 12.33 x Guigui 3.87. Mais um péssimo resultado e a quinta vez no ano em que o local de Ubatuba fica na 25ª posição em uma etapa -- e numa condição de mar que estava igualzinho a Colorado, na Nicarágua, onde surfei com ele em no final de agosto e o cara simplesmente destruiu.

Resultado? 24º colocado no ranking WSL, fora da linha de classificação e precisando desesperadamente de resultado em Pipe pra se manter na elite em 2018. O lado bom é que Wiggolly é o haole mais local de Pipe, é quase membro da família Rothman (pra quem não sabia, é a família de Eddie Rothman, “dono” do North Shore e líder dos black trunks e da Da HUI), tem MUITA moral no Hawaii, liberdade pra treinar à vontade e tem tudo na mão pra fazer um bom resultado na reta final.

Por isso estou colocando Dantas em 16º no meu B Ranking, mas é melhor ele fazer por merecer em dezembro.

EZEKIEL LAU // B-RANKING 17 // WSL 02

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Zeke não foi bem em Portugal, perdendo no R2 e levando mais um 25º lugar pra casa. No primeiro trimestre do ano parecia que o grandão ia engrenar, com um 3º em Margaret River e muitos sonhos de grandeza.

A realidade foi bem diferente e o havaiano só conseguiu 13º e 25º colocações o resto do ano inteiro. Agora vai pro Hawaii em 27º no ranking e precisando de resultado em Pipe. Mas está em 12º no ranking do QS e vai ter duas etapas Prime no North Shore -- Haleiwa e Sunset -- para tentar se manter pra 2018.

Resumindo: se não conseguir se classificar pro ano que vem surfando em casa, seja pelo CT ou pelo QS, melhor se aposentar logo e seguir carreira de local-freesurfer-de-temporada-havaiana, como muitos amigos já fizeram.

JOAN DURU // B-RANKING 18 // WSL 27

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Duas quartas durante o ano e alguma regularidade mantiveram o francês a salvo para 2018 até o momento. Em 17º lugar no ranking, acho difícil o Monsieur Joan não se classificar pro CT do ano que vem. E acho que ele merece. Duru tem um surf que se encaixa em diversas condições de onda do Tour: manobra forte, pesado e com estilo bonito, apesar de não ter nenhum carisma pessoal.

Na verdade, ele faz parte de uma geração da Euroforce que pela primeira vez na história fez um ataque mais contundente no CT, junto com Jeremy Flores, Frederico Moraes e Leo Fioravanti. Já era hora! Ele também é bom de tubo e eu não ficarei surpreso se ele arrumar um resultado em Pipe.

ÍTALO FERREIRA // B-RANKING 19 // WSL 25

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Portugal foi a 5ª etapa seguida em que Ítalo não passa do terceiro round. E colecionar 13ºs e 25ºs lugares não é nem um pouco bacana pra quem começou o ano com pretensões de disputar Título Mundial.

Sim, Ítalo se machucou na perna australiana e ficou três eventos fora se recuperando, mas já faz um longo tempo desde que ele voltou ao Tour no Rio de Janeiro. De lá pra cá o brasileiro não mostrou muita coisa além de uns videozinhos passeando de Audi e surfando em Baía Formosa.

Ferreira provavelmente conseguirá o convite de wildcard por lesão da WSL para o ano que vem junto com Kelly Slater. Mas que o ano de 2017 sirva de lição: por mais que a audiência e nós mesmos nos achemos O CARA, resultado nesse Tour se consegue é dentro d´água, com humildade, surf no pé e muito foco competitivo.

CAIO IBELLI // B-RANKING 20 // WSL 18

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A perna europeia não foi péssima para Ibelli. Um 9º e um 13º lugar o deixaram em 19º no ranking WSL e com totais chances de se classificar em Pipe. Mas pra quem foi Rookie of the Year em 2016 e começou 2017 com uma final em Bells Beach, esta temporada ficará marcada mais como um ano errático do que a confirmação cabal de que o brasileiro pertence à elite e está pronto pra atacar os Top 16.

Mas eu sinceramente acho o surf do Caio totalmente no nível do CT. Surfa muito bem em pointbreaks pra direita, sabe pegar tubo e também consegue surfar progressivo quando é necessário. Acho que com um pouco mais de refino nos pequenos detalhes que fazem a diferença entre vencer ou não uma bateria de alto nível, Ibelli tem tudo para se consolidar e fazer uma boa carreira no Tour.

MATT WILKINSON // B-RANKING 21 // WSL 06

Wilko foi um dos caras que mais caiu no B Rankings nas últimas etapas. Tenho rebaixado o cara porque ele tem feito por merecer. Foi de World Title contender para 6º no ranking após três resultados ruins em três etapas seguidas. Assim não dá, cumpadre.

Perdeu em Portugal no R3 para o italiano Leo Fioravanti em uma bateria de notas bem baixas, em que Wilko só pegou duas ondas (!), enquanto o rookie surfou oito. Ou seja, Wilko basicamente nem TENTOU diversificar, arriscar em várias ondas e tentar oportunidades.

Poderia ter aprendido algo com as performances de seu companheiro de equipe Gabriel Medina, que faz uma verdadeira blitz no lineup em suas baterias em beachbreaks e conseguiu incríveis 100% de aproveitamento na Europa. Por isso, caro Wilko, você caiu de 12º pra  21º no B Rankings. Boa sorte em Pipe.

IAN GOUVEIA // B-RANKING 22 // WSL 27

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Ian perdeu para o também rookie Connor O'Leary no R2, em uma bateria em que surfou duas ondas pra direita e fez uma leitura errada de tubo nas duas. Poderia ter atrasado mais pra ficar mais deep na primeira e poderia ter acelerado mais pra sair do tubo na segunda. Connor pegou duas esquerdinhas e passou a bateria.

No R1, Ian também não havia ido bem, praticamente surfando apenas uma onda na bateria. E olha que, na minha opinião, Supertubos era uma onda que encaixava bem no surf do brasileiro. Mas paciência. Gouveia também não está bem no ranking do QS e 2018 será um ano de batalha e de recuperação de seu lugar na elite. Normalmente um ano de CT faz um bem danado à evolução do surf de qualquer atleta, então eu torço por um Ian mais evoluído e motivado ano que vem para voltar com tudo em 2019.

E porque não um bom resultado em Pipe para fechar o ano com a confiança em dia? O moleque é muito bom de tubo, e seria fantástico assistir uma performance de alto nível dele na última etapa do ano.

JADSON ANDRÉ// B-RANKING 23 // WSL 32

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A Europa não foi boa pro Jadson esse ano. Dois 25ºs não eram nem de longe os resultados esperados e necessários para a sobrevivência no Tour em 2018. Em 24º no WQS, fico na torcida por, mais uma vez, uma reviravolta no ano e na carreira de Jads nas etapas de final de ano no Hawaii -- feito que nunca foi fácil pra ninguém. Mas se há um guerreiro com sangue nos olhos e disposição pra se jogar no que vier à sua frente em Haleiwa e Sunset, esse cara é o Jadson.

FILIPE TOLEDO // B-RANKING 24 // WSL 09

Dois 25º lugares seguidos em dois eventos de beachbreak na Europa. Sério???

Acho que nem o mais pessimista analista ou o mais ferrenho hater da @surfamily seria capaz de prever uma perna europeia tão ruim para Filipinho, ainda mais vindo de uma vitória convincente em Trestles. Algo está errado quando um atleta de altíssimo nível e um surfista tão bom quanto Toledo não consegue manter uma regularidade capaz de fazê-lo chegar ao final da temporada em condições de disputar o título em Pipeline. Hora de talvez repensar estratégias, logística ou apenas tentar botar a cabeça em ordem? Ou será que 2017 foi apenas um ano complicado e fora da curva para o príncipe de Ubatuba?

Sei que o Ricardo Toledo é um cara que gere a carreira do filho de perto e que não é nem um pouco afeito a ouvir críticas (mesmo que muitas vezes construtivas), mas seria muito legal ver o Filipe surfando focado em Pipe, botando pra baixo e mais ainda: começar 2018 com pé direito em Snapper Rocks, com todas as peças encaixadas no lugar certo pra fazer uma tentativa certeira de ataque ao cume do Everest do surf no ano que vem.

BEDE DURBIDGE// B-RANKING 25 // WSL 22

Não, não quero comentar mais nada sobre o Bede esse ano... Me poupem dessa, amigos leitores.

KANOA IGARASHI // B-RANKING 26 // WSL 20

O pequeno local de Huntington Beach correu atrás nos últimos meses e está conseguindo a proeza de se classificar pro Tour 2018 tanto pelo CT quanto pelo ranking de acesso do QS. Com trabalho duro e competindo com inteligência e sorte, conseguiu um 5º e um 3º lugar nas três últimas etapas. Kanoa tem toda uma estrutura de equipe e financeira para competir e eu só consigo pensar em como seria o ranking do CT e do QS se todos os competidores brasileiros também tivessem esse nível de suporte.

Mas voltando à realidade, que o momento atual de Kanoa sirva de exemplo para alguns de seus colegas competidores (inclusive da Brazilian Storm) mais talentosos que o japinha, mas que estão nesse momento lutando pra se requalificar pro ano que vem. Em Portugal, Kanoa competiu em condições de mar totalmente diversas e complicadas e ainda assim, apesar da pouca idade e maturidade, chegou até as semis só perdendo pra um Gabriel Medina matador.

Ano passado, o americano conseguiu a proeza de ficar em segundo no Pipe Masters, mas eu acho que nesse caso o raio NÃO vai cair no duas vezes no mesmo lugar, então estou deixando ele aqui em baixo no B Rankings pós-Portugal e pré-Hawaii.

CONNER COFFIN// B-RANKING 27 // WSL 21

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Conner se deu bem em Portugal no ano passado, mas em 2017 não conseguiu repetir a boa atuação e perdeu numa bateria de 4.77 pontos no R3. Caiu num tubo de backside que poderia ter sido uma nota dez, mas acabou sendo um três e pouco. Foi a pior pontuação de todas as baterias do round, entre todos os surfistas. Ou seja, era hora de ir pra casa mesmo.

Em 21º no ranking do CT, o americano não está de forma alguma seguro ou garantido para o ano que vem, e vai ter de ralar bonito em Pipe se não quiser ter de encarar um QS cada vez mais competitivo em 2018. Lembrando que o tipo de onda em que se disputa a maioria das etapas do circuito de qualificação não beneficia o surfe de linha em onda pra direita que é a especialidade dele.

Mas Conner é um cara super viajado e tem experiência em ondas tubulares, e quem sabe arruma um bom resultado em Pipe. Eu não torço por ele nem aqui nem em Rincon, sendo bem honesto.

CONNOR O'LEARY // B-RANKING 28 // WSL 14

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Ficou em 9º em Portugal e foi por pouco -- poderia ter ido mais longe. Perdeu pra Sebastian Zietz no R5 por uma diferença de 0.03 pontos. Foda. Mas pegou alguns bons tubos de frontside e surfa bem de backside, com um surf base-lip veloz e bem encaixado. Não era uma aposta minha no início do ano de forma alguma, mas para exemplificar: é um rookie e está 10 (dez!!) posições à frente no ranking do powerhouse brasileiro Wiggolly Dantas. É justo? A matemática não mente, amigos...

Connor está numa briga boa com Frederico Morais pelo título de Rookie of the Year de 2017. Kikas (o português) foi um pouco mais constante que o australiano, e está uns mil e poucos pontos na frente no ranking. Mas O´Leary fez uma final esse ano em Fiji e, indo pra Pipe, não tem jeito de eu não o colocar à frente do portuga aqui no B Rankings.

LEONARDO FIORAVANTI // B-RANKING 29 // WSL 26

Um razoável 9º lugar em Portugal subiu o italiano seis colocações para a 26ª posição no ranking do CT. Não o vejo fazendo um Pipe Masters capaz de garantir sua permanência no Tour para o ano que vem, mas às vezes eu também erro feio nas minhas análises.

Em 32º no ranking QS, o mês de dezembro vai ser uma luta de gladiador romano para Fioravanti, que vai ter de mostrar que tem brio e estrela de vencedor pra se manter na elite em 2018. Surfe pra isso na minha opinião ele tem, já falei mais de uma vez que gosto do surf do garoto.

A verdade é que o nível de surf no CT é tão alto que a realidade da maioria dos rookies é lutar para sobreviver na liga principal e ao mesmo tempo manter um plano B consistente correndo as etapas primes do QS. E é isso que Leo terá de fazer no North Shore daqui a um mês.

FREDERICO MORAIS // B-RANKING 30 // WSL 13

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Morais continua fazendo um ano super consistente e está numa sólida 13º colocação no ranking WSL, logo acima do concorrente a Rookie of the Year Connor O´Leary. Morais surfou muito inteligente neste ano, aproveitando as oportunidades nas etapas que favoreciam seu tipo de surf, como Bells e J-Bay, ao mesmo tempo competindo com inteligência e raça pra manter consistência nas etapas mais complicadas. Resultado? Top 16 no seu ano de estréia.

Surfando em casa em Portugal, Frederico terminou em 9º lugar perdendo pra Mick Fanning no R5 em uma bateria bem disputada. Mick levou basicamente por causa de uma primeira onda com tubo e uma nota 8.5 numa condição de mar bem difícil, onde Morais não conseguiu uma onda similar com potencial de nota para a virada. Mas foi parelho.

Dito isso, os piores resultados do português no ano foram nas ondas do Pacífico, Fiji e Teahupoo. Isso mostra que, enquanto nos beachbreaks e nos points de direita o gajo consegue impor peso a seu surf, há uma dificuldade clara quando a coisa é tubo pra esquerda. E, rumando pra Pipe, sinceramente não vejo motivo pra colocar Morais num spot alto aqui no B Rankings.

JACK FREESTONE // B-RANKING 31 // WSL 30

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Semifinalista na terceira etapa do Tour, em Margaret River, a long time ago. Daí em diante, o namorido da Alana Blanchard não conseguiu nada além de perder no R2 ou R3 durante todo o ano.

A mídia internacional, seus patrocinadores (que despejam uma grana pesada na conta do Jack anualmente) e a torcida australiana com certeza esperavam muito mais do segundo ano de Tour de um cara que foi bicampeão mundial Pro Junior e que conta com um suporte financeiro e de logística super forte desde muito novo.

Alguns atletas são especialistas em uma determinada condição de surf e ali montam sua estratégia para se dar bem no Tour. Vejam o exemplo de Frederico Morais nos pointbreaks de direita. Já Freestone não conseguiu impor um padrão ao seu jogo em nenhuma condição específica de surf, durante toda a temporada. Não vinga nas ondas de tubo, não se solta nos beachbreaks de aéreos, não deslancha nos pointbreaks. Resultado: 30º lugar no ranking do CT e, salvo algum milagre havaiano, um longo ano de luta no QS para 2018.

STUART KENNEDY // B-RANKING 32 // WSL 33

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Stuart é local de Lennox Head, na Austrália. Pra quem não conhece, é uma das regiões com mais pointbreaks de direita perfeitos no mundo! Na teoria, isso deveria criar uma vantagem competitiva nas várias etapas do Tour com ondas similares (Snapper Rocks, Bells, J-Bay, Trestles). Na prática, os resultados do australiano nos points foram idênticos aos reefs e aos beachbreaks: ruins.

Resultado: 33º lugar no Ranking WSL, 32º no B Rankings e nenhuma chance em Pipe.

KELLY SLATER // B-RANKING 33 // WSL 02

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Lesionado desde J-Bay, quando caiu num tubinho safado numa sessão de treinos e quebrou o pé, não sei se volta ainda para Pipe. Mas tem surfado na piscina dele direto, o safado. E até por respeito, não vou colocar o Careca abaixo do Ethan Wing no B Rankings.

ETHAN EWING // B-RANKING 34 // WSL 29

Ethan começou o ano incensado pela mídia gringa como sendo um prodígio, um futuro World Title contender. Desde a primeira etapa em Snapper Rocks, os comentaristas da WSL tentaram construir essa imagem do garoto, mas os resultados foram tão pífios que essa narrativa não se manteve sequer até o meio do ano.

O jogo é assim mesmo, os gringos e a WSL PRECISAM conseguir novos ídolos lourinhos para tentar renovar a base de fâs pelo lado de lá. Mas a turminha não ajuda, não é? Ewing basicamente não passou nenhuma bateria o ano todo e volta pro QS em 2018 com o fator humildade renovado (espero).

E para não perder o tema, a mídia internacional já tem um novo escolhido pra 2018: o americano Griffin Colapinto, que já está sendo apontado como o novo freak a arrombar as portas do Tour. Sou MUITO mais o brasileiro Yago Dora. E além do mais, com um sobrenome como Colapinto, o americano vai ter que mostrar muito serviço até eu conseguir levá-lo a sério.