B RANKINGS // Trestles

Texto: James b

fotos: WSL

Buenos dias, cabrones!  Esse é o B Rankings: o ranking alternativo e nem sempre imparcial do James B, vosso colunista underground e anônimo, odiado pelos gringos e defensor voraz do surf brasileiro nos fóruns mundo afora. A ideia é bem simples: a cada etapa do CT, eu analisarei  cada competidor e emitirei minha opinião baseada na performance dos caras no evento e sua colocação no ranking WSL e criarei a minha versão subjetiva do ranking. Vamos ver no que vai dar...

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Publicidade da WSL sobre o evento:

“A etapa mais high performance na onda mais high performance e inovadora do World Tour!!!”

Ah, tá... muito lindo e maravilhoso, mas alguém precisa combinar com os russos, com a comissão técnica, juízes e head judge, porque exatamente até esse ano, com a vitória de Filipe Toledo, os vencedores em Trestles sempre foram caras surfando de forma “tradicional” e baseada no carve e no surf de borda. E mesmo em 2017, provavelmente foi um flat de quase 10 minutos na final que evitou mais uma vitória do surf considerado “não progressivo”.

A onda que proporciona mais inovação NO FREESURF sempre teve sua versão COMPETIÇÃO com o surf tradicional sendo recompensado, em detrimento do surf progressivo. Soa incoerente, não é? Na verdade, incoerente é o critério usado no julgamento, que nunca fica efetivamente claro a cada etapa. E a subjetividade embutida no processo continua deixando margem pra desvios em notas e resultados.

A WSL investe uma fortuna em estrutura de broadcast e palanque. Custaria tanto assim trazer mais transparência e evolução para o julgamento? Seria realmente tão complicado assim uma mudança simples no processo para que os juízes NÃO saibam quanto um atleta está precisando de nota para virar a bateria? Ter um quadro de juízes mais global e diversificado? Mas discutir o julgamento não é o foco aqui. Vamos ao nosso primeiro B Rankings - e fiquem à vontade para discordar, comentar, apoiar ou odiar.

 

filipe toledo // john john florence // jordy smith // adriano de souza // owen wright // gabriel medina // ítalo ferreira // matt wilkinson // julian wilson // frederico morais // mick fanning // joan duru // jeremy flores // sebastian zietz // michel bourez // kolohe andino // caio ibelli // ace buchan // wiggolly dantas // connor o'leary // joel parkinson // JADSON ANDRÉ // kanoa igarashi  // ian gouveia // ezekiel lau // conner coffin // miguel pupo // jack freestone // leonardo fioravanti // josh kerr // stuart kennedy // ethan ewing // bede durbidge // kelly slater

 

FILIPE TOLEDO // B-RANKING 01 // WSL 07

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Pra resumir uma análise que poderia ser muito longa: se o #TeamToledo olhar mais pro futuro da carreira e não para a próxima renovação de contrato ou etapa do Tour, a hora de investir maciçamente numa evolução em ondas pesadas pra esquerda é agora.

Peguem 20.000 dólares e paguem um mês de coaching com o Manoa Drollet em Teahupoo. Depois mais 20.000 e outro mês de coaching com o Shane Dorian em Fiji. A médio prazo, o passe do moleque iria valorizar uns 100% e a probabilidade de título mundial mudaria de “possível” para “múltiplos”. Ah, e se funcionar, pode mandar 20.000 dólares pra mim também pela idéia (ainda aceito 10.000 e um quiver de Sharp Eyes).

Fora isso? O moleque é “O” freak, surfista mais veloz, imprevisível e espontâneo do Tour. E eu admiro pra caralho como ele dá valor e respeita família e amigos.  

Em Trestles, sobrou em todas as baterias, mas quase repete o mesmo resultado de 2016, quando perdeu a final pro mesmo Jordy,  pegando várias ondas de qualidade inferior e quebrando tudo, enquanto o gringo escolheu basicamente as 2 melhores ondas da final, fez dois high scores e deixou o filho do Ricardo com a mão no bolso.

Europa? Danger man! Filipe pode tranquilamente ganhar na França e em Portugal e chegar em Pipe com chance de mostrar pro mundo que tem cacife pra ser campeão do mundo AGORA.

john john florence // b-ranking 02 // wsl 02

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John John é o surfista mais supervalorizado do Tour, de longe. Amado pela comissão técnica e também pela audiência e mídia internacional - que o elegeu como o sucessor do Slater nos corações gringos, carentes de talentos à altura do Careca na panelinha AUS/USA. É aclamado como  o melhor em ondas de fundo de coral, mas até hoje não venceu em Pipe, Fiji e Tahiti, onde Medina já montou a barraquinha dele e faz final praticamente todo ano.

Mas, por outro lado, o Elfo Louro se aproveitou da irregularidade do brasileiro nos anos após o título mundial de 2014 e tem se estabelecido como o player mais perigoso e valorizado, tanto pela mídia quanto pelos juízes. E com chances muito grandes de bi em 2017. Acordem, Charles e #MedinaTeam!

jordy smith // b-ranking 03 // wsl 01

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Se Jordy ganhar o título em 2017, será merecido? Excelente surfista em manobras pra direita, possivelmente o melhor do Tour com as semi-aposentadorias de Parkinson e Fanning. Smith é um exemplo claro de como as etapas da WSL privilegiam os regular-footers com muito mais opção de surf pra direita que pra esquerda.

Aliás, o Jordy não lembra de certa forma um Owen Right de base invertida? Mas diferente do avatar australiano, o gigante sul africano até hoje nunca mostrou serviço em ondas tubulares, principalmente nas esquerdas do Pacífico. E se vencer em 2017, será que a mídia internacional vai sugerir colocar os famosos asteriscos (*) ao lado do nome do grandão de Durban, como um campeão mundial que não se provou nos tubos ainda?

Em Trestles, foi favorito absoluto nos últimos anos. Mas o brilho de seu surf quase ia sendo apagado por mais uma palhaçada protagonizada pelo painel de juízes. Uma nota 9 na final (que para mim e para muitos não parecia nem um 8) deixou o cara com prioridade, faltando 10 minutos de bateria e precisando de um 6 e pouco - que pelo jeito ele ganharia com um drop e uma rasgada. Pra sorte de Filipe – e da justiça – o mar ficou flat até o final e o resultado acabou sendo justo.  

#FuckRichiePorta

#BrigaPeloBrasilRenatoHickel

ADRIANO DE SOUZA // B-RANKING 04 // WSL 06

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Não tem cara que eu respeite mais nesse Tour que o Mineiro. Exemplo de competidor e atleta profissional. É um dos caras que mais evoluiu sua performance em todas as ondas do circuito, na base do treino, dedicação, viagem e investimento.

Adriano não tem o surf de borda mais perfeito, o estilo mais perfeito, o air game mais perfeito, nem o tube skill mais perfeito do mundo. Mas venceu em Bells, no Rio, em Margaret River e em Pipe... entenderam meu ponto?

Mineiro é o cara, e está num fase da carreira que pode aproveitar e colher tudo o que plantou nos últimos 15 anos de dedicação ao esporte.

OWEN WRIGHT // B-RANKING 05 // WSL 05

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O Avatar perdeu pro meio-quilo japonês numas ondinhas que estavam mais pra um cara de 1.60 m, do que pra um gigante de quase dois metros. Na verdade, eu até hoje não entendo como o Owen ainda consegue surfar com tanta fluidez, mesmo em merrecas, sendo tão alto e com os braços daquele tamanho. É um indicador claro da qualidade de seu surf – ele quebra de Snapper um metrinho a Fiji 8 pés.

O título 2017 fica mais complicado depois desse 25º em Trestles, mas pra um sujeito que voltou de um ano afastado por uma concussão cerebral grave e ganhou logo o primeiro evento que disputou, nada é impossível.Além disso, eu respeito pra caralho o Owen como pessoa, e não me incomodaria de forma alguma ver esse cara ser campeão mundial.

GABRIEL MEDINA // B-RANKING 06 // WSL 08

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Junto com Toledo e John John, um dos três caras mais talentosos do surf no momento, fácil. Mas diferente de Toledo e do Elfo Louro, Gabriel já se consolidou como um vencedor nas ondas de tubo chave do Tour, como Tahiti, Fiji e Pipe.

A meu ver, cada ano de CT que o Medina fizesse uma temporada australiana forte, os outros nem precisariam dar as caras dali pra frente, pois naquele ano o título mundial seria do Maresias Freak. Também vejo muita crítica sobre o Medina não procurar um técnico. Ora porra, o título mundial dele foi com o Charles de técnico, então o que funcionava antes não funciona mais? Não caio nessa. A recente falta de consistência vem dele mesmo, e só cabe a ele buscar o foco perdido e se reencontrar com o Medina inabalável de 2014.

Agora, não seria a hora de fazer mais testes numas Merricks, JSs e ...Losts? As Cabiancas não me convencem.

Em Trestles até parecia que ia engrenar, mas perdeu no round 3 usando mal a prioridade e caindo onda após onda pra um Jadson André que estava numa missão.  

- World Title em 2017: nenhuma chance

- Vitórias na Europa ou em Pipe: totalmente possíveis e necessárias para retomar aquela confiança inabalável que parece perdida no momento.

ÍTALO FERREIRA // B-RANKING 07 // WSL 23

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Uma pena a lesão no tornozelo na perna australiana, essa poderia ter sido uma temporada de brilho total pro local de BF. Quando entrou no Tour, conseguiu em pouco mais 7 meses se graduar de “rookie brazzo merrequeiro incógnita” pra “title contender player pegador de tubo no Pacífico”. Uma lição a ser aprendida pelo colega Filipe Toledo, que ainda precisa se provar em tubos pra esquerda.

Mas voltando pro Ítalo: surfista agressivo e moderno, bom competidor, backside de alto nível, conseguiu criar uma ótima imagem no Tour e está em alta (a prancha cheia de adesivos é um bom indicador).

Mas em Trestles pegou um Seabass totalmente inspirado e em sintonia com as melhores ondas. Sai com um 13º e vamos ver o que o baixinho invocado arruma na Europa, onde ele já se deu muito bem no passado.

matt wilkinson // b-ranking 08 // wsl 06

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Wilko me surpreendeu em 2017. Achei que ele viria mais relaxado, para curtir um ano de detox depois de toda a pressão pelo título e por tudo que fez em 2016. Ao contrário, veio com fome de título e mais uma vez encarando de frente as estrelas queridinhas da mídia. Com certeza os resultados do ano passado fizeram bem pra confiança competitiva do cara, que começou a se enxergar como um potencial vencedor. E isso é ótimo.

Muita gente fala mal do estilo do antigo patinador da praia de Copacabana (a da Austrália), mas quando ele entra no ritmo de backside, o surf dele tem um flow e um ritmo que poucos no Tour tem. Na boa? Prefiro o surf dele ao do Julian Wilson. E o Wilko é um competidor completo, vencedor de Bells e Fiji.

Mas em Trestles deu tilt e perdeu na repescagem pra um wildcard mediano, numas esquerdinhas safadas. Não é assim que se inicia um segundo semestre com cheiro de título, dear Wilko, ainda mais quando o cara que está na tua frente no ranking é o havaiano queridinho do Richie Porta.

PS: eu gostava pra caralho da fase porra louca/pró night do Matt, com certeza ele ganhava menos grana mas se divertia bem mais naquela época. Mas na vida há tempo pra tudo, não é?

julian wilson // b-ranking 09 // wsl 03

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Mr. Bieber é um dos maiores queridinhos da mídia internacional. Todo ano, no início do Tour em março, a mídia (brasileira, inclusive), coloca o Julian na lista dos world title contenders.

A real? Brilho esporádico, poucas vitórias no Tour, muitos erros táticos e nunca chegou a disputar o título de verdade. Perdeu pro Kanoa no R4 e eu curti cada minuto da escovada... Doce vingança de todas aquelas finais roubadas contra o Medina, além de eu achar o Jules um cara mimado e mal acostumado.

Mas… ele está muito bem no ranking, pois em 2017 está constante. Já se deu bem antes na Europa (finais contra o Medina - ganhou uma no roubo descarado e perdeu a outra merecidamente) e pode dar trabalho na perna européia.

frederico morais // b-ranking 10 // wsl 11

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Continua fazendo o power game dele pra direita - é cria dos pointbreaks de direita de Portugal - e tem uma cabeça competitiva aparentemente bem sólida, disputando com um nível de maturidade mais alto que a de um rookie tradicional.

Tem um coach que é ex top do Tour, o que também não deve atrapalhar em nada na estratégia.  Não faz nada demais, mas na base da inteligência e do feijão com arroz (e a quantidade de onda pra direita nesse Tour), pode fazer uma carreira muito boa nos próximos anos. Na Europa, vai estar em casa, com apoio e confiança da torcida portuguesa - que é quase tão apaixonada quanto a brasileira. Estou curioso pra ver como o Portuga vai surfar nos beachbreaks de França e Portugal.

mick fanning // b-ranking 11 // wsl 14

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Quando um sujeito como Jadson André declara que Mick é um dos caras mais sangue bom do Tour, não tem como você não respeitar o cabra.  

Sim, o surf dele é repetitivo e muitas vezes parece robótico. Mas ao mesmo tempo, é absurdamente eficiente, e ganhou dois títulos mundiais (levou 3, mas um deles empurrado até a alma, hehehe…).

Em 2017, caras como ele e Parko estão tendo muito mais dificuldade para se destacar. Sinais de troca de guarda e de que o surf competição finalmente começou a trazer DE VERDADE novos players pro jogo e que estão empurrando os antigos campeões pra fora dos Top 10? Na minha opinião, sim.

Exemplo melhor que nessa etapa?

- Faninng Trestles 2015: imbatível.

- Fanning Trestles 2017: 13o lugar, perdendo duas (!) vezes seguidas pro Kanoa Igarashi (!!)

Mas acho que não é hora pro Fanning se aposentar ainda, ele tem muito a agregar ao surf competição e à WSL (ou a seja lá que teremos de Tour nos próximos anos). Circuito partindo pra Europa, Mick já ganhou de tudo por lá - e com certeza feliz com a performance em Trestles ele não está.

joan duru // b-ranking 12 // wsl 18

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Eu acho um bom surfista. É tipo um Wiggolly Dantas, muito power e bom em onda forte. Mas vou ficar devendo essa análise pra vocês, leitores. Depois da maratona de baterias, não tô com saco pra pensar em Joan Duru. E também não acho que vocês sentirão muita falta.

Mas na Europa, o cara vai estar em casa e conhece aqueles beachbreaks como poucos. Então tô colocando ele em 12º no B Rankings e pagando pra ver se ele manda bem no seu home ground.

JEREMY flores // b-ranking 13 // wsl 17

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Acompanho o Tour desde a antiga ASP, ou seja, desde que o Jeremy se classificou pra elite. E até hoje não consegui estabelecer na minha cabeça uma impressão definitiva sobre o cara. Às vezes o acho gente fina, às vezes o acho babaca.

Mas o cara tem méritos. Ninguém ganha em Pipe e no Tahiti à toa. Trestles é uma etapa que ele surfa bem, e em 2017 fez um bom trabalho, indo até as quartas. Se em Portugal e França o mar estiver bom e tubular, conhece bem a vala. Pode arranjar pelo menos mais um bom resultado.

sebastian zietz // b-ranking 14 // wsl 13

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O curinga. Bom de tubo pros dois lados, bom de surf no rail, ótimo em aéreos e manobras progressivas.

Tem surf para vencer qualquer uma das etapas do Tour, mas ao mesmo tempo pode perder em último em todas. Cai, cai e cai muito em finalizações que fariam diferença em muitas baterias. O irreverente Seabass poderia tranquilamente contratar um Micro Hall da vida pra dar mais foco e seriedade. Daria uma evoluída forte nos resultados, e na conta bancária, assim como fez o Wilko.

Em Trestles, o que eu vi foi o Seabass padrão: deu show nas primeiras fases para chegar no round 4, dar branco total e perder numa bateria em que passou 20 minutos pra pegar a primeira onda (de uma manobra), cair na primeira manobra da segunda onda e entregar de bandeja a vitória pro Jordy Smith.

De qualquer forma o Sebastian é um cara sangue bom total, humilde e que agrega - um gringo que eu não me incomodo nem um pouco de continuar vendo no Tour por muito tempo. É bom de beachbreak e pode dar trabalho na Europa.

MICHEL bourez // b-ranking 15 // wsl 16

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O cara é um Pipemaster, já ganhou no Rio e em Margaret. Tem fama de ser o atleta com o surf mais power do Tour, mas eu discordo. Ele com certeza é um dos que FAZ mais força nas manobras, mas na média a força não rima com fluidez. Não gosto da sincronia de braços/ombros e do flow dele. Guardadas as devidas proporções, seria um Gary Elkerton moderno (pra galera mais jovem, dêem uma olhada no Youtube, tem vídeos do "Kong" surfando lá). Em Trestles, conseguiu perder pra um inspirado (coisa rara esses dias) Miguel Pupo, mas só aquele tubo que ele pegou em Fiji atrasando com o pé de trás na parede já valeu o ano.

kolohe andino // b-ranking 16 // wsl 12

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Num mundo perfeito... Ah, se o mundo fosse um lugar perfeito... Seria perfeito, não é mesmo? E num mundo perfeito, Kolohe Andino seria a resposta ianque ao ataque dos Brazzos no CT. Lourinho, americano até os ossos, Kolohe foi criado pelo pai, Dino Andino, para realizar os sonhos anglo-saxões e ser o próximo americano pós Kelly Slater a se tornar campeão mundial de surf profissional. Uma nova era de vitórias do país mais rico e poderoso do surf mundial.

Como no mundo real nem tudo é perfeito e nem todos os sonhos se realizam, Kolohe foi atropelado pela overdose de talento de caras como Medina, Toledo, John John e até agora não deslanchou de verdade.

Em Trestles, um merecido 25º lugar, perdendo pro guerreiro Jadson André.

PS: eu adoraria assistir no The Inertia ou na STAB o vídeo do Kolohe destruindo a própria prancha na área dos competidores, na hora que saiu o resultado da bateria. Mas nesse caso, pra mídia gringa, não vem ao caso...

caio ibelli // b-ranking 17 // wsl 22

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Quando o Ibelli se classificou pro CT, eu confesso que não botava tanta fé nele. Eu sabia que ele era cria do Pinga, que já era um moleque viajado, mas pra mim era uma incógnita em termos de World Tour.

Aí ele chegou chutando a porta, ganhando do John John, pegando tubo, surfando bem e tudo mais, Rookie of the Year. Ganhou respeito.

Trestles 2017: perder pra um pós-adolescente como Kainoa Igarashi, caindo em várias ondas que fariam a diferença na bateria? Campeonato pra esquecer… e uma boa opção seria procurando afago nos braços da princesa havaiana dele.

Caio está numa posição delicada no ranking, mas não crítica – porém após dois 25ºs seguidos, é hora de sacudir a poeira e olhar pra Europa, onde um bom resultado será fundamental.

ace buchan // r-ranking 18 // wsl 12

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Ace já fez muita coisa na carreira pro nível de talento que tem. Ganhou na França, no Tahiti e fez alguns bons resultados aqui e ali.

Hoje em dia, é um dos mais desinteressantes goofies no Tour, e se mantém na elite porque é um competidor muito inteligente, experiente e tático. Todo ano arruma pelo menos um resultado bom e vai se mantendo na elite assim. O desse ano acabou de vir em Trestles. Deu aula de surf competição pros outros goofies naquela onda, ganhando de caras melhores que ele - como Wiggolly e Adriano - na tática, aproveitamento e escolha de ondas. Fez semifinal e foi a maior surpresa do evento pra mim.

Já poderia se aposentar numa boa e voltar a escrever livros infantis ou arranjar um emprego na WSL.

wiggolly dantas / b-ranking 19 // wsl 21

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Tem surf e power pra ser Top 10. Bom de manobra, bom de tubo pros dois lados, joga mais água no surf de borda que 90% do Tour. Mas não consegue entrar no ritmo necessário pra passar das quartas de final no CT e comete seguidos erros de estratégia em baterias que vem lhe custando dinheiro, pontos e posições no ranking.

Perdeu em Trestles no R3 pro Ace Buchan, que deu um nó no brasileiro em termos táticos a bateria inteira. Surfei com o Wiggolly numa recente trip na América Central, e o cara arrebenta, além de ter um carisma fudido, muito humilde e alto astral. Infelizmente, carisma sozinho não vence bateria no World Tour.

connor o'leary // b-ranking 20 // wsl 10

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Surf que não me enche de alegria de forma alguma, mas já fez esse ano mais que o Jack Freestone na carreira toda. E eu ainda acho a namorada dele mais gata que a do Jack...

Em Trestles perdeu pro Josh Kerr na segunda fase, num tipo de mar que estava muito mais pra ele que pro semi-aposentado Kerzy.

Não vejo O´Leary arrumando muita coisa na Europa, mas eu também não via a menor chance dele fazer uma final em Fiji no ano de debut no Tour, então...

joel parkinson // b-ranking 21 // wsl 09

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Excelente competidor, tuberider e surfista de pointbreak pra direita. Esses são os elogios que vocês vão me ouvir falar do cara.  

Além de eu não achar que ele tem uma vibe boa e humilde, seu título mundial nunca me convenceu. Cansei de escutar: “Ah, mas o Joel merecia ser campeão do mundo”. Amigos, não se ganha título mundial por “serviços prestados”. Se fosse assim, amigos leitores, um cara chamado Taj Burrow seria pelo menos bi-campeão.

Um título mundial se ganha dentro d'água, vencendo convincentemente bateria após bateria e evento após evento. E no título do Joel parecia que a ASP inteira gritava: "é a vez do Parko, ele merece!!". Então foi um dos títulos mais empurrados da história, in my opinion.

E depois do título, Parko nunca mais encantou com suas performances. Além disso, com John John, Toledo e Jordy, já temos renovação garantida nas direitas - e com muito mais modernidade.

A verdade é que o Parko já está em retirement mode há uns 3 ou 4 anos, e 2017 deveria ser o último dele no Tour. Na Europa só vejo ele se dando bem se o mar ficar clássico.

jadson andré // b-ranking 22 // wsl 28

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Jadson é um dos caras que mais evoluiu em ondas tubulares e grandes em sua carreira no CT. Infelizmente, diferente de um Adriano de Sousa, não conseguiu fazer o fine tuning para todos os tipos de onda do Tour, o que lhe custa resultados e $$ preciosos.

Além disso, o guerreiro de Ponta Negra não é um queridinho da panelinha do Richie Porta, e várias baterias suas foram mal julgadas nos últimos anos.

Mas em Trestles, só a vitória em cima do milionário Kolohe nas direitas já fez meu coração derreter. Bateu Medina no R3, mas perdeu pra um estrategista de primeira, Ace Buchan, no 4º round. Jadson surfou melhor, mas Ace pegou a onda do dia, fez um 9.8 e levou. Galego safado!  Mas faz parte do jogo.

Deu uma subidinha no ranking depois de Trestles e já surpreendeu na Europa no passado, fazendo final. São beachbreaks e Jadson precisa de dois resultados na perna européia pra chegar no Hawaii sem depender de Pipe ou dos QSs.

Go, Jads!!

kanoa igarashi // b-ranking 23 // wsl 24

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Às vezes me pergunto como certas coisas acontecem no surf competição. Uma delas é como esse piva fez uma final de Pipemasters, quando pelo menos 28 dos Top 32, em teoria, são muito mais capazes que ele em Pipe/Backdoor.

E quem apostaria em vitórias do pequeno Jaspion contra Mick Fanning (2x) e Julian Wilson em Trestles? Mas o moleque foi lá, competiu bem e levou.  Minha pergunta: sinal de amadurecimento e evolução de performance ou uma sorte pontual numa condição de mar que ele conhece muito bem? O tempo dirá.

Mas na minha humilde opinião, Kanoa não surfa a metade de um Thiago Camarão - mas é americano, cheio de patrocínios, e a vida fica bem mais fácil do que para um Brazzo guerreiro de QS. que tem de fazer contas todo final de mês pra ver se dá pra ir correr as etapas do mês seguinte.

ian gouveia // b-ranking 24 // wsl 27

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Eu deveria me pronunciar como impedido de avaliar esse cabra por motivo de conflito ético, pois eu sou tão fã da família Gouveia, que seria uma avaliação parcial. Mas afinal, quem disse que o James B é imparcial?

Pra mim, o Ian amadureceu seu surf nos últimos anos surfando ondas perfeitas e tem potencial pra fazer uma boa carreira no CT. Uma coisa fundamental: agregar ao arsenal o sangue nos olhos e desejo de matar de caras como Mineiro, Medina e Toledo.

Ian é um moleque muito boa vibe, e pra se dar bem nessa WSL, um pouquinho de malvadeza não o atrapalharia em nada.

Perdeu pro Zeke Lau tropeçando nos próprios erros de escolha de onda e quedas bobas. Evento pra esquecer também. Hora de abrir os olhos e chegar na Europa cuspindo fogo e maldade pelo nariz. Aliás, foi na Europa que Ian carimbou a classificação pro CT deste ano, então tô torcendo por boas performances E resultados por lá.

ezekiel lau // b-ranking 25 // wsl 25

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Mermão... Vida de rookie no CT não é fácil. Mas eu sempre achei o Zeke um cara que se leva a sério demais (ou metido a besta demais). Muita cara de mau pra pouco resultado.

A real? É muito bom surfista, mas só entrou pro CT graças ao amiguinho Igarashi fazendo final em Pipe (!), e em 2017 foi ofuscado - inclusive no mano a mano em Trestles - pelo brilho do Tiago Pires 2.0  (ops, Fred Morais) que está fazendo muito mais bonito no ano de debut.

Pra piorar o meu humor com o havaiano, ele é brother do mané Jake "The Nazi" Patterson e ainda eliminou o Ian em Trestles.

conner coffin // b-ranking 26 // wsl 19

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A miniatura de Joel Parkinson é especialista em pointbreak pra direita. Mesmo sendo super jovem e de uma geração que se baseia muito no surf progressivo, a cria de Rincón não empolga, nem traz qualquer inovação ao esporte.

É rico de rachar, os pais tem casa no Hawaii, Califórnia e só eles sabem mais aonde. Investiu uma fortuna nos últimos anos viajando pra treinar em ondas boas. Só pra Cloudbreak deve ter ido algumas dezenas de vezes - e nunca arrumou um resultado lá. Se investissem a grana gasta com ele pra uma meninada que eu conheço aqui do Brasil, sairiam vários Toledos e Medinas em 5 anos.

miguel pupo // b-ranking 27 // wsl 31

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Me dói, mas a impressão que tenho (e que muita gente compartilha) é que Miguel é o surfista mais apático do Tour. Já cansei de contar as vezes em que eu o vi perder baterias por (aparente) falta de empenho, coração, tática ou seja lá como você preferir chamar.

Não me esqueço nunca da bateria que Pupo perdeu alguns anos atrás no CT do Rio para o Aritz Aranburu numa vala de esquerdinhas na Barra, idêntica à Maresias, basicamente boiando 30 minutos enquanto o espanhol fazia a festa pegando onda após onda e levando a bateria.

Mas o irmão mais velho do Samuel surfa muito, tem um dos estilos mais polidos do circuito, já se mostrou bom em tubos no Pacífico e nas paredes de Trestles.

Espero que a paternidade recente dê à Miguel o sangue no olho que a sobrevivência no surf competição profissional exige nesses dias. Até que veio surfando melhor em Trestles que no restante do ano, mas aí deu o azar de cair com Toledo no R3 numa valinha de direita abrindo, aí fica difícil pra qualquer um no momento.

Precisando desesperadamente de resultados na Europa, estou torcendo por condições à la Camburi na França e à la Maresias em Portugal.

jack freeston // b-ranking 28 // wsl 28

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Maior realização do Mr. Freestone no surf nos últimos 5 anos? Pegar a Alana Blanchard.

leonardo fioravanti // b-ranking 29 // wsl 30

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Dessa galerinha de rookies da Quiksilver no Tour, é um dos que me agrada, tanto pela atitude fora d'água, quanto pelo surf. Já mostrou alguns flashes de bom surf, já ganhou de alguns caras do topo do ranking e quem sabe tem potencial pra crescer no CT.

Em Trestles, deu trabalho pro Toledo na 1ª fase e perdeu pra um Wiggolly sólido na 2a.

josh kerr // b-ranking 30 // wsl 35

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Sempre achei o surf do Kerr sem power e com um rail game fraquíssimo. É mais um australiano em fim de carreira nesse Tour. Muito bom em onda grande, está sem patrocínio e sendo engolido vivo pela nova geração. Talvez seja hora de se aposentar do CT e começar a pensar numa carreira alternativa de freesurfer de big waves.

Ou então virar empresário da filhinha Sierra, que tem o maior futuro no surf e no skate. Em Trestles, perdeu pro Mineiro na 3ª fase e já foi até longe demais, na minha opinião. Mas SE na Europa as condições estiverem clássicas e tubulares, pode fazer bons resultados.

stuart kennedy // b-ranking 31 // wsl 32

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Poucos sabem dessa teoria, mas muitos anos atrás, o pai do Adam Melling andou pulando cerca na Gold Coast e foi bater em Lennox Head atrás de uma galega. Vinte e poucos anos depois, o fruto daquela escorregada aparece no CT e faz um estrago em Snapper Rocks surfando com uma prancha cheia de malandragem da fábrica do Slater.

Coincidência? Tradição familiar? Porque é difícil o Stuart não ser o irmão oculto do Adam Melling. São quase gêmeos, dentro e fora d´água. E assim como o irmão mais velho, Stu não sabe surfar pra esquerda (quer dizer, surfa melhor de backside do que eu, mas não no nível da elite do surf mundial) e não me empolga nem em Bells, se é que me faço entender.

Trestles?? Perdeu em ondas pra direita (!) pro dinossauro Ace Buchan e ficou em 25º.

PS: em tempos de mídia querendo fazer o Medina de vilão dos sete mares, dêem uma olhada no civilizado Stuart (ou seria o Melling?) fazendo carinho no Kanoa Igarashi em uma bateria de QS…

ethan ewing // b-ranking 32 // wsl 35

Ethan who??? LOL.

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Juro a vocês, eu acompanho o Tour até que bem de perto, mas nem lembro da cara desse aí. Pra vocês entenderem meu nível de interesse pelo surf desse rookie australiano em 2017.

bede durbidge // b-ranking 33 // wsl 20

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Bede é mais um dinossauro australiano que vem fazendo as mesmas manobras, sempre da mesma forma, há uma década. Está se aposentando agora - e já estava mais do que na hora. Boa sorte nas Olimpíadas!

kelly slater // b-ranking 34 // wsl 26

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Em manutenção não programada. Eu queria mesmo era um convite pra surfar naquela piscina de ondas...