JULIO ADLER // Quik Pro France Preview

Minha primeira viagem de surfe pra fora do Brasil foi pra França. Na época, 1990 pré-WCT, eram três eventos seguidos, todo mundo junto e misturado, em uma semana de disputas que começavam quando o sol aparecia e terminavam apenas quando já não era mais possível enxergar mais nada.

Na pré-triagem, um rapazinho ainda franzino, olhos azuis e farta cabeleira loira, prancha estreita, sem adesivo no bico - lembram? E eu com isso, Julio? Pergunta o internauta indignado, com toda razão.

Véspera do período de espera do Quiksilver Pro France, hora de preparar o time para os dois Fantasy que pulam por aí. Não se fala em outra coisa nos botequins de Ipanema, exceto pelas piadas com o Muralha.

A previsão por enquanto não é daquelas assustadoras - nem muito vento, nem tanta ondulação para os primeiros dias. Depois de ondas bem grandes nessa semana, imagino que os bancos estarão alinhadinhos, como deve ser.

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Tiro Certo

Filipe Toledo  (7º - subiu duas posições)

 Alguém aposta contra Filipe Toledo?

Alguém aposta contra Filipe Toledo?

Só um louco não apostaria tudo no Filipe Toledo depois dele ter varrido completamente J-Bay e Trestles de maneira brutal. Arrisco dizer que não fosse pelo deslize no Tahiti (primeira vez que Ethan passou da segunda fase na temporada) numa bateria sem ondas, Toledo estaria nos Top 5.

No seu retrospecto tem um terceiro em 2013 e quinto em 2016, perdendo apenas para Florence nas quartas. Foi responsável pelo momento mais espetacular do Quik Pro do ano passado, quando virou uma bateria incrível contra JJF na quarta fase – full-rotation de backside absurdo, nota 10.

 

 

Gabriel Medina (8º - desceu uma posição)

 Dos 8 primeiros, Medina é o único que ainda não venceu esse ano.

Dos 8 primeiros, Medina é o único que ainda não venceu esse ano.

Ninguém no Tour tem um histórico na França como Medina. Antes de entrar nos Top 32, ele já fazia estragos em 2009 no King of the Groms, deixando uma mensagem clara - preparem-se, o jogo vai mudar.

Dali em diante foram quatro finais em 6 eventos e em todos eles Medina chegou até as quartas. Dos 8 primeiros, Medina é o único que ainda não venceu na temporada. Imagina a fome do rapaz…

 

Julian Wilson (3º - subiu duas posições)

Julian Wilson com surf de World Champ em Trestles

Desde Fiji, Wilson só faz subir no ranking, mesmo tropeçando em Trestles para um Igarashi com sorte de sobra e a eterna generosidade dos cinco senhores das notas. Mesmo assim, Julian tem sido um dos surfistas mais em forma de 2017. Se a França nunca foi o seu forte, também nunca o decepcionou - já fez final contra Medina em 2011 e semi em 2015. Seu ultimo video mostra que é uma questão de pequenos ajustes até o tão sonhado título mundial. Assim como Toledo, só depende dele.

 

Adriano De Souza (6º - não subiu nem desceu)

 Será na Europa a primeira vitória de Mineiro em 2017?

Será na Europa a primeira vitória de Mineiro em 2017?

Curiosamente, Mineiro nunca venceu na França. Se isso não te faz apostar que ele dará a vida por um título inédito, esqueça. Adriano tem duas semis em Hossegor. Em 2008 perdeu pro Slater (que seria batido pelo Ace Buchan na final) e em 2015 teve uma bateria duríssima contra Medina, que precisou de um 10 pra virar num mar de ondas difíceis.

Apesar de achar que nessa temporada o casal De Souza tenha buscado mais tempo para curtir (faz ele muito bem, depois de tanto tempo agarrado no objetivo de ser campeão Mundial), algo me diz que o clima Europeu vai ajudá-lo esse ano.

 

Embolado

Se formos analisar com a frieza dos números, Ace Buchan (12º - subiu 6 posições) é a melhor pedida do mercado - ninguém ascendeu tanto do meio pro final da temporada. Talvez o Kikas.

 Mick Fanning já venceu 4 vezes na França

Mick Fanning já venceu 4 vezes na França

Duas criaturas letais na França não podem ser descartadas: Mick Fanning - com 4 vitórias em 11 eventos - e John John, pelo que tem feito e o que é capaz de fazer (tem no seu retrospecto, 25º, 3º, 5º, 1º, 5º e 3º no Quik Pro).

Pelo o que vem surfando, eu casava um dinheiro firme no Ítalo para sua primeira vitória no Tour.

 

Wildcards

A WSL teve a bondade de convidar Keanu Asing para defender seu título. Asing deve voltar aos Top na próxima temporada, já ganhou três WQS menores e tem mostrado aquele surfezinho serelepe que lembra muito o camarada que o orientou durante boa parte da adolescência, John Shimooka.

O outro convidado é Marc Lacomare, local, goofy, Campeão Mundial Junior de 2011. Capaz de fazer estragos, Lacomare competiu no Quik Pro em 2013 e perdeu uma bateria injusta contra Joel Parkinson. Voltando de uma lesão, Marc não embalou no WQS ainda, mas nos intervalos…

Nat Young tem mais uma chance de tentar passar da terceira fase, graças ao pé quebrado do Careca. Nunca passou da terceira fase na França.

 

Cavalinhos dos Fantásticos

Sem patriotada cega, não podemos deixar de fora o Jadson Guerreiro - já até imagino o apelido pegando igual ao Charles Guerreiro, lateral direito do Mengão campeão brasileiro em 1992 - finalista em 2014.

Caio Ibelli e Guigui precisam de resultados expressivos na Europa, acima das quartas para dar uma respirada.

Miguel Pupo tem situação mais delicada, o que não chega a ser desesperador, porque se há uma onda parecida com Maresias no circuito, essa onda é Hossegor (dependendo da maré…) - taí o Medina que não me deixa mentir.

Ah, sim! Joan Duru… Cuidado com o primo do Obelix.